Opinião
OS TERRORES DE FIM DE ANO
Antônio Pigafetta, navegante floretino que acompanhou Magalhães na primeira viagem ao redor do mundo, ao passar pela América Latina, escreveu uma crônica que mais parece literatura de Garcia Marques: descreveu animais exóticos e inexistentes em outras paragens e sobremaneira o impressionou o nativo gigante da Patagônia, que, posto pela primeira vez diante de um espelho, apavorou-se tanto com sua própria imagem que enlouqueceu definitivamente. Ao longo da história, produzimos bizarrices insuperáveis: na procura da fonte da Eterna Juventude, Álvar Núnez Cabeza de Vaca explorou durante oito anos o norte do México, numa expedição lunática cujos membros comeram uns aos outros, e dos seiscentos que começaram só restaram cinco. No século 19, a missão alemã encarregada de estudar a construção de uma estrada de ferro interoceânica no istmo do Panamá, concluiu que o projeto era viável, desde que os trilhos não fossem feitos de ferro, que era um metal escasso na região, e sim de ouro. O general Antonio Lopez de Santa Anna, que foi três vezes ditador do México, mandou enterrar com funerais magníficos a perna direita que perdeu na chamada Guerra dos Bolos. O general Garcia Moreno governou o Equador durante 16 anos como monarca absoluto, e seu cadáver foi velado com seu uniforme de gala e sua couraça de condecorações sentado na poltrona presidencial. Entre os eventos estrambóticos nacionais dessa época, além da febre consumista, os ansiosos brasileiros que enfrentam os aeroportos lotados, faça sol ou os céus desabem em aguaceiros, são sempre estressados por ameaças de paralisações de aeronautas. Em nossa penúrica Alagoas, a apavorante violência foi catalisada com a operação padrão da PM. Por mais justas que sejam as reivindicações salariais ? já que parece existir atualmente melhor e maior equipamento ?, caberiam preocupações, para hoje e para o futuro: praticaram-se excessos, como os militares que levaram placas pedindo ?desmilitarização?? Houve quebra na indispensável hierarquia militar? Ameaçou-se motim? E se a moda pega: revolta de funcionários públicos com armas na cintura? Em Brasília, a regulamentação de greve para funcionários públicos permanece hibernando e entre as previsões concretas para 2014, estão as greves dos servidores públicos federais em agosto,ocasião quando resorts pelo País faturarão alto.