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Opinião

O QUE � ESSENCIAL

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Todas as vezes que chegamos ao fim do ano, comemoramos, nos reunimos com nossos familiares e amigos e algumas vezes agradecemos a Deus por termos terminado mais uma parte da nossa jornada, bem como refletimos o que fizemos de bom e de não tão bom. Esse é o nosso lugar comum. Nada de novo. Nada de mais. Mas é justamente isso que é o novo, que é o ?mais?, são justamente, no meu pensar, estas coisas que parecem simples que nos impulsionam a cada ano e nos fazem caminhar. De forma geral, o mundo não nos diz isso. Vivemos a ?época das novidades?, ?do novo?, ? do fugaz?, ?das alegrias momentâneas e intensas?. Isso tudo não é ruim, mas não é ao meu ver o essencial. E o que é essencial? Pergunta difícil de responder. Exupéry diz que ?o essencial é invisível aos olhos?. Faço meu ?check up? anual, tudo normal. Meu filho menor (4 anos) chega para mim no dia de natal e me diz ?pai, você sabe qual é o meu presente??. Eu lhe respondo: ?Não?, ele me diz docemente, me abraçando ?meu presente é você?. Minha mulher desce as escadas lindamente com seus olhos verde-esmeralda e sorri, como faz há 15 anos. Seu sorriso é meu poema de amor. Meu filho maior (11 anos) lê um de meus poemas espontaneamente na festa de natal da família. Recebo a ligação de um velho amigo na noite de Natal. Passo a noite de Natal com meus pais e meus irmãos e demais familiares. Vejo que o essencial é invisível aos olhos e que a vida é uma construção contínua de chegadas e partidas. A consciência de que somos ?criatura? e que guardamos uma relação profunda de amor com o Criador, que não vivemos como ?as batatas?, mas sim como os pardais e os lírios do campo, e que Ele nos procura todos os dias e nos convida a refletir este amor aos outros me dá esperança e faz sentir paz. Não podemos nos deixar enganar. Não somos maus. Essencialmente, somos bons. Chegamos à conclusão de que somos parte desta criação maior e como podemos contribuir efetivamente para o bem. Refletir também sobre as coisas não tão boas que fizemos nos dá a consciência de nossas limitações humanas e a chance de podermos reparar estas falhas. Sempre é tempo de melhorar. Por fim, é justamente com nossos familiares e amigos que devemos estar nesse fim de ano, pois ao longo dele foram eles que nos impulsionaram a cada dia, para vencermos as dificuldades naturais da vida, algumas trazidas pela natureza, outras pelos outros, algumas criadas por nós mesmos, mas igualmente ultrapassadas ou ainda aceitas sem solução. Aí está o essencial, visível somente ao coração. A todos, um feliz 2014 e que o Criador continue a voltar seu olhar para todos nós.

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