Opinião
RETROSPECTIVA EM PAUTA
Parafraseando Bertoldo Brecht, o analfabeto político não é aquele que não sabe ler e escrever, mas quem não consegue ver a realidade e interpretá-la corretamente. É com esse espírito que se busca ver a realidade política de 2013 e identificar o seu significado, o que aconteceu de positivo e negativo em nível internacional, nacional e local. Em sua Exortação Apostólica, o papa Francisco expõe dois grandes eixos: por um lado, lembra que a natureza da Igreja é sair para a missão e compromisso com os pobres e não viver para si; e, por outro lado, coloca o dedo na ferida do sistema capitalista. Para o para, o atual sistema não explora somente, mas exclui o ser humano. Na política brasileira, parecia que a grande disputa se daria entre as oposições de direita, de centro e a esquerda mais extremada de um lado e, do outro, a atual mandatária, a presidente Dilma Rousseff. A oposição apostou na queda de popularidade do governo federal e no crescimento dos seus postulantes pré-candidatos à Presidência República em 2014. Ocorreu de um lado para o outro a movimentação e troca de partidos. O que se apresentava como novo no cenário, o caso da ex-católica, ex-petista e ex-senadora Marina Silva, caiu nos braços do tradicional governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, aliado do PSDB e do tradicionalista e líder ruralista deputado Ronaldo Caiado. Passados alguns meses, nada do que a oposição previu aconteceu: a popularidade da presidente cresceu e os índices da oposição arrefeceram, perdendo o discurso diante da diminuição vertiginosa do desemprego, da melhoria na qualidade de vida da população, do Programa Mais Médico e da ampliação de assistência social para a população de baixa renda. O desastre ficou por conta do estado de Alagoas. Para começar, o governador Teotônio Vilela foi avaliado como o pior gestor; o estado tornou-se campeão em violência, em assassinatos de jovens e roubo; pior desenvolvimento humano e na educação; alto índice de inadimplência e com um dos menores índices de crescimento econômico do Nordeste; e a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa suspensa judicialmente de suas funções sob a acusação de improbidade administrativa. Diante desses dados, ao contrário do Brasil, o fim de ano para os alagoanos apresenta um cenário tenebroso, com militares e bombeiros revindicando melhorias das condições de trabalho e salariais e a população exposta à bandidagem, resultado da desigualdade social e da inércia e da omissão governamental.