Opinião
Explodindo �ndices
Manchete em toda a mídia brasileira, o estouro dos números da inflação confirma a dura tendência de fim de governo FHC. Na verdade, os males da inflação não deixaram de afligir com sua peçonha o povo brasileiro nesses oito anos de plano real. Nesse tempo, os dentes inflacionários roeram o poder de compra, abriram buracos implacáveis no orçamento doméstico e levaram muitos empreendimentos à falência. Todo esse prejuízo era disfarçado pelos baixos índices oficiais, que desarmaram a cidadania e criaram uma falsa segurança baseada no discurso da estabilidade a qualquer preço. O custo da estabilidade foi a desestabilizção do processo de desenvolvimento brasileiro, que sempre teve os seus problemas, suas limitações, mas que de uma forma ou de outra foi perseguida ao longo de muito tempo, perpassando governos democráticos e autoritários, mas sempre como uma aspiração nacional. O governo FHC fez expirar esse anseio brasileiro pelo desenvolvimento. O processo inflacionário é inegavelmente nocivo, isso nem se discute, é uma unanimidade ? mas sobre a base desse consenso verdadeiro se erigiu um castelo de mentiras, a partir da centralização de todos os esforços na conquista de uma ?moeda forte?. Tem sido gigantesco o preço pago pela maquiagem da moeda brasileira, tornada vedete a custa de uma brutal taxa de juros e da asfixia das possibilidades de desenvolvimento. Além do brutal pagamento, arrancado à forceps das entranhas do povo brasileiro durante esses oito anos, a encomenda está se esvaindo a olhos vistos. A ?moeda forte? vai sendo fraquejada a cada movimento da economia internacional. E a cada espasmo do real, injeta-se dólares a rodo num mercado ávido e descontrolado. Além disso, a dupla gestão FHC multiplicou o valor dos juros e elevou à enézima potência a capacidade do governo em criar novos impostos (vide CPMF) e aplicá-los em cascatas sem fim. Essa política vampiresca mostra sua crueldade e inutilidade através de duas explosões: a da miséria dos brasileiros e a dos números da inflação. Bombas de um terror quase silencioso.