Opinião
Quando insaciabilidade rima com impunidade
Ano novo, velhos problemas. Este é o caso da persistente tragicomédia política e ética que há muitos anos marca a Assembleia Legislativa de Alagoas, com os primeiros dias de 2014 reacendendo o mais longevo dos esquemas para drenar recursos públicos do Estado: a Casa Tavares Bastos clama por mais dinheiro para pagar débitos em aberto, apesar das montanhas de dinheiro religiosamente enviadas àquele endereço durante todo o ano de 2013. A ameaça é clara: ou os cofres públicos aceitam serem sugados novamente, para além dos limites do bom senso, ou Alagoas será parada (ainda mais?) pela recusa daquela operosa casa em votar projetos essenciais como o Orçamento do Estado, além de ajustes salariais para policiais e demais servidores. Nesse cenário, o Ministério Público acusa a Assembleia Legislativa de pular a cerca do próprio duodécimo e extrapolar os já exorbitantes e inexplicáveis gastos com pessoal em nada mais nada mesos que R$ 33,9 milhões (!) durante o ano recém-findo. E ainda ?falta? dinheiro para pagar a folha salarial nos itens dezembro, 13º salário e 1/3 das férias ? brada o sindicato dos servidores da Casa Tavares Bastos! Nesse meio tempo, num lapso de dois meses, uma nova mesa diretora assumiu o comando da casa e sua principal medida política/administrativa em 60 dias de nova direção foi... Pedir mais dinheiro ao Poder Executivo! E os mesários diretores saem desse tempo de gestão reclamando da Justiça por ter impedido o imediato repasse desses recursos adicionais. Mais entrosados e íntimos do Poder Executivo, os membros da velha mesa diretora, agora reempossados depois das férias forçadas, emitem sinais de confiança de que a demanda possa ser resolvida rapidamente pelo governo do Estado sem mais interferências desagradáveis do Poder Judiciário. Será assim mesmo? Será que entra ano e sai ano e essa chaga aberta continuará corroendo impunemente os valores éticos? Afinal, é ostensivamente insultante o comportamento perdulário manifesto por sucessivas gestões do Poder Legislativo alagoano. Ano novo? Parece que não... Pelo menos no tocante aos velhos problemas da Assembleia Legislativa de Alagoas.