Opinião
HUMOR E RELIGI�O
Inúmeras vezes já escutei piadas tocando o assunto da religião. Há algumas que são interessantes, pois mostram situações inusitadas e quem vive uma experiência de igreja compreende-as com tranquilidade. Só é triste quando as verdades de fé são colocadas como mentiras e até ridicularizadas. Assim aconteceu com os últimos vídeos publicados pela produtora Porta dos Fundos. Trabalhando sempre com o gênero comédia, veiculando material exclusivo para internet, o Youtube tornou-se a ambiência ideal para a exposição dos seus trabalhos. Com grande sucesso, resolveram, então, partir para o campo da religião para fazer mais sucesso ainda. É o que tem acontecido. Pegar uma temática como, por exemplo, a de Natal, em que bem sabemos é uma festa cristã, mesmo estando tão paganizada por tantos, e utilizar-se de crenças para fazer a comédia, fez com que a produtora recebesse inúmeras críticas nos últimos tempos. Até o comediante Didi, em um programa televisivo em rede nacional, se manifestou contra o tipo de comédia feito pela produtora. ?Nós não precisamos disto?, eram as suas palavras. De fato, não precisamos. Eles que precisam! (risos) Pois, o que melhor dá audiência que a abordagem religiosa? Por que Dan Brown se tornou famoso? Código da Vinci só teve sucesso de vendas porque explorou a crença religiosa. Zombar de valores propagados pela Igreja, hoje, gera polêmica, e com a polêmica o ibope sobe, as vendas crescem, o sucesso chega... Com a quantidade de comentários e críticas nas redes sociais sobre os vídeos publicados pelo Porta dos Fundos, resolvi assisti-los. Gosto muito de rir, e até meus paroquianos sabem o quanto gosto de humor, mas constatei o que já esperava. Piadas de mau gosto envoltas em palavrões. O que me deixou contente foi o fato das inúmeras críticas que vi no canal do Youtube da produtora e no Facebook. Nosso país tem raízes cristãs, e muitos entendem com bom-senso que humor e religião podem andar juntos, sem a necessidade das ofensas. Rir é bom. É até remédio para tantos males. Queiramos ser bem-humorados, mas sendo respeitosos. Pena que respeito não pode ser vendido em cápsulas ou implantado como matéria nas escolas. Sua ausência no mundo atual torna a alteridade difícil. E a comédia, uma tristeza!