Opinião
DESEJOS E ESPERAN�AS
A nova etapa do calendário promove sempre uma eclosão de sentimentos e de fortes expectativas. Em todas as pessoas e nas diversas instituições humanas se erguem reflexões e buscas de novas conquistas. Um renascer crítico pede mudanças e o delinear de um futuro melhor se torna lema de um domínio individual e coletivo. A troca de mensagens representa o conforto das velhas amizades e o fortalecimento dos laços que proporcionam união diante dos desafios do amanhã. A vida traduz a soma dos resultados desta matemática sentimental e não se esquece daqueles que sabem alimentar desejos e gratas esperanças. Victor Hugo, o mais amado dos escritores franceses, em seu longo poema declarando seus votos de desejos, diante das passagens do tempo, disse que cada idade tem o seu prazer e a sua dor, sendo necessário deixar que eles escorram por entre nós. Na seleção de poemas natalinos e de ano novo, do grande poeta português Fernando Pessoa, ao lembrar o sino de sua aldeia, afirma afetuosamente, ?a cada pancada tua, vibrante no céu aberto, sinto mais longe o passado, sinto a saudade mais perto?. O festejado cronista e poeta Carlos Drummond de Andrade, em seu poema sobre os desejos do ano novo, denominou de indivíduo genial, quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias e deu o nome de ano. Formulou a todos muitos desejos, e, que eles possam nos mover, a cada minuto, rumo à felicidade. Nesta quadra inexorável do tempo, os apelos e sentimentos reinantes buscam, com sabedoria e detalhes pontuais, a realização dos sonhos, o reconhecimento das graves batalhas enfrentadas pelos nossos cidadãos e o coroamento da esperada paz que, na atualidade, vem se transformando em uma grande angústia. Os alagoanos não se esgotam plenamente; procuram cada um, ao seu modo, reagir a tantos ventos adversos. Acreditam no exercício de uma política de lideranças redentoras e na crítica interna e consciente de todas as instituições que precisam revisar suas ações e estratégias diante dos persistentes acontecimentos. O inspirado poeta gaúcho Mário Quintana criou a imagem de uma figura desesperada do décimo segundo andar do ano, que em um magnífico voo, chega miraculosamente incólume na calçada, tornando-se outra vez criança. Perguntada pelo nome, a menina de olhos verdes diz, pausadamente, para que não esqueçam, chamar-se Esperança.