Opinião
A CULTURA NO PROCESSO DE INCLUS�O PRODUTIVA
É distante o momento em que pensar cultura significava apenas transpor costumes, crenças, ideias e tudo o mais assim transmitido. A cultura se entreabre a cada dia para compor um grande concerto universal de gêneros e sistemas que compõe a própria economia da cultura. Assim, o que nos parecia abstrato no campo filosófico passa a ter uma concepção tangível sob o aspecto contemporâneo. A contribuição da cultura no contexto social e econômico se equipara a qualquer outro item da economia de mercado. É, justamente, no processo de inclusão produtiva, onde o fazer cultural presta um grande serviço à sociedade. É no processo de transmissão de conhecimento que sobrevive, como um exemplo, as receitas culinárias que movimentam bares e restaurantes, assim como em tantas áreas do saber humano. Apesar de termos pleno conhecimento de que a cultura não é um privilégio apenas do homem. Os animais também possuem sua cultura e a transmite aos seus descendentes da mesma forma que o homem. No entanto, se no animal é instintivo e fisiológico, no homem é de pura razão, como também de emoção e com capacidade de se aperfeiçoar a cada dia. O processo de inclusão social a que litiga o homem no terceiro milênio é o resultado do indomável crescimento do capitalismo, da ausência de políticas públicas que não privilegiem a geração de emprego e renda e, enfim, da própria má distribuição de renda, somada ao deficit habitacional que permeia todo o País. Dessa forma, engrossam-se as fileiras dos premiados nos programas assistencialistas que privam o ser humano de ganhar o seu sustento e semeiam a cultura da acomodação e do conformismo. A esta situação, agrava-se mais e mais a violência urbana, motivada, sobretudo, pelo tráfico de drogas e polo aliciamento de crianças e jovens para o mundo do crime. Mais que qualquer outro instrumento de transformação, a cultura tem provado sua eficácia nos ambientes de maior exclusão social deste país. Nenhuma outra ação é capaz de devolver a autoestima e reerguer comunidades mortas. A cultura renasce como a fênix, das cinzas, e preenche os espaços corroídos pela dor e pelo sofrimento e dá lugar a uma nova vida. Não há razão maior para a iniciativa privada prover o fomento das ações culturais deste país. Uma empresa que agrega a participação sociocultural e ambiental na sua produção dá transparência ao seu produto.