Opinião
A GUERRA PSICOL�GICA
A netinha Júlia nos trouxe para São Paulo no réveillon. E a calorenta metrópole mostrou-se uma cidade agradavelmente vazia. As grandes avenidas estavam livres. O concorrido Famiglia Mancini, onde se espera horas por um mesa, estava disponível e o afável garçom Amaro, afirmou estar trabalhando satisfeito na véspera da festa, o intolerável seria trabalhar no réveillon, passá-lo-ia com a família. 2014 continuará quente. Teremos uma Copa do Mundo, quando o Brasil poderá afirmar-se como um gigante ou um anão entre os emergentes. Os precedentes preocupam: morte de operários, goteiras, desabamento em estádios caríssimos, e ninguém prevê se ocorrerão manifestações durante a realização dos jogos. Saudavelmente, torceremos pelo sucesso do evento e da nossa seleção. Jessé de Souza, doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg e professor da UFMG, na obra Os Batalhadores, escreve que a nova classe média é uma ?classe trabalhadora precarizada, super explorada, e em grande parte, informal, trabalha muito e ganha pouco, são os batalhadores, e serão o fiel da balança na eleição de 2014. Eles oscilam entre apoiar a classe abaixo deles e assumir um discurso atrelado aos interesses dos privilegiados. Quem conseguir conquistá-la, provavelmente, ganhará a eleição?. Afirma ?existir um muro entre os excluídos, 30% da população, alvo dos programas assistenciais do lulismo (que reduziram o sofrimento, mas não resgataram essa classe da exclusão) e a classe média verdadeira, que é cativa da mensagem moralista dos partidos mais conservadores?, assim, temas importantes, contudo polêmicos, serão evitados pela situação e pela oposição. Será mais uma eleição comandada pelos marqueteiros. Dilma, após uma gestão medíocre, alegou uma implausível ?guerra psicológica? contra seu governo; é favorita e terá cabos eleitorais poderosos: Lula, o mercado de trabalho, e principalmente a ampliação do Bolsa Família e do salário mínimo, que poderão definir a eleição. A tal ?guerra psicológica?, lamentavelmente, é a arraigada intolerância à crítica, fundamental, indispensável e construtiva em democracias. No apartamento do alto da Aclimação, a Júlia aguentou firme e quase conseguiu, mas rompeu o ano dormindo angelicamente. Fogos de artifício pipocaram pela imensa metrópole. Ao longe, na Baixada Santista, eles perduraram por horas. Impossível saber se eram saudades do ano findo ou alegria pelo nascente. Só o tempo dirá. Muita saúde para todos!