Opinião
Ainda na esperan�a de abordagens igualit�rias
Duas manchetes, editadas na página policial da Gazeta no dia 1º de janeiro, são emblemáticas de uma questão fundamental a ser respondida pelas autoridades da segurança pública alagoana. ?Morte de ex-dirigente do CRB segue impune? e ?Nêgo Anum morre após tiroteio com policiais militares?. Essas duas reportagens, publicadas no primeiro dia deste ano, refletem uma lamentável herança que precisa ser descartada e que se expressa, conforme comentários aqui tecidos nos anos anteriores contrapõem reações antípodas por parte das mesmas forças responsáveis pela segurança pública alagoana: quando o crime tem como vítima um policial, a resposta é rápida, dura e eficiente; quando as vítimas são cidadãos comuns, as reações são lentas e pouco esclarecedoras ? apesar de serem (felizmente) registradas exceções. Uma dessas exceções dignas de aplauso e destaque está noticiada em nossa edição de hoje: a exemplar ação de acompanhamento e interceptação de um bando criminoso no exato momento no qual a quadrilha se lançava a mais um assalto. Parabéns! Mas, infelizmente, esta não tem sido a regra. Lamentavelmente, o caso do vazio nas investigações sobre a morte do ex-presidente do CRB é muito mais recorrente do que se poderia considerar o limite da tolerância cidadã. Ao mesmo tempo, assim como na elogiável reação ao assassinato do policial modelo Anderson Silva (esclarecido em menos de 12 horas), a sociedade tem a comprovação do poder e da competência policial quando da pronta resposta ao fuzilamento do soldado PM Ivaldo Silva, quando, em cerca de 48 horas, a maioria da quadrilha estava detida e, dias depois, o principal suspeito pelos disparos, conhecido como ?Nêgo Anum?, foi mortalmente ferido ao reagir, em via pública, à abordagem policial. Neste ano novo, a esperança da sociedade alagoana é da diminuição radical no distanciamento entre essas duas reações, com a alta eficiência demonstrada quando das investigações sobre vítimas policiais seja aplicada também nos inúmeros demais casos nos quais são vitimadas pessoas comuns. O caso de ontem, da intervenção preventiva frustrando o assalto a uma agência bancária na cidade de Murici, poder ser um sinal de que as coisas estão mudando. Oxalá!