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Opinião

MENINO PERIGOSO

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Meu caro leitor, é verdade que o Natal do calendário civil dura um dia apenas. Na noite do 24 de dezembro, ceia-se, trocam-se presentes, as pessoas se encontram, todos envolvidos por um sentimento mais ou menos difuso de uma certa bondade. É tudo o que restou para o mundão da festa cristã do Natal. Que pena, a descristianização. Com ela vem uma sociedade à deriva, que já não tem onde fundamentar os valores e o sentido da existência. Valores, aliás, que, quando partilhados por uma comunidade humana, criam cultura, engendram uma verdadeira vida social. Mas, não é sobre isto que gostaria de escrever desta vez. Para os cristãos, ainda é Natal: a Igreja está no Tempo litúrgico do Natal do Senhor, composto de cinco festas: a Natividade (24/12), a Sagrada Família (Domingo seguinte), a Maternidade Divina de Maria Virgem (01/01), a Epifania (Domingo após dia 1º) e o Batismo do Senhor (Domingo seguinte). Meu intento é chamar-lhe a atenção para um detalhe. Na Missa da Noite do Natal, a Liturgia da Igreja coloca como canto de entrada no Missal as palavras tremendas do Salmo 2. Primeiro, faz o próprio Jesus falar com as palavras do Salmista: ?O Senhor Me disse: ?Tu és Meu Filho! Eu hoje Te gerei!? Até aí, tudo bem: a Escritura de Israel já antevê, misteriosamente a geração eterna do Filho por parte do Pai; geração que se manifesta no tempo deste mundo com a Encarnação e a Natividade do Senhor na Noite de Belém. Mas, o que surpreende de verdade são os versículos deste salmo, cantados, um por um, na procissão de entrada. Se pensarmos bem neles, é chocante: ?Por que as nações se revoltam e os povos conspiram em vão? Os reis da terra se insurgem e os poderosos fazem aliança contra o Senhor e o Seu Messias? ?Vamos quebrar Suas correntes e libertar-nos do Seu domínio!?. Aquele que está nos céus ri-Se deles, zomba deles o Senhor! Então, cheio de ira, vai dizer-lhes: ?Já O estabeleci como Meu Rei! Vou proclamar o decreto do Senhor: Ele Me disse: ?Tu és Meu Filho, eu hoje Te gerei! Pede-Me e Te darei como herança as nações!??. Estas palavras misteriosas, atuais e eficazes no rito sagrado em plena Noite de tanta doçura, recordam-nos profeticamente que esse Messias que nasceu para a humanidade não é adocicado, não é óbvio, não é simplesmente palatável ao mundo! Esse Menino será sempre ?sinal de contradição?, como disse a Maria o velho Simeão. Pense bem, meu leitor, que acolhê-Lo exige para mim e para você o desafio e a aventura da conversão, de deixar o modo de pensar mundano e abraçar o modo de pensar que Ele nos traz! Fica o desafio para nós neste 2014. Tentemos!

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