Opinião
QUEDAS E ASCENS�O
O mesmo vozeirão inconfundível e a mesma alegria contagiante deram sequência a um abraço que só ele tem a capacidade de dar-nos. Encontro Márcio Canuto com sua musa, minha prima Líbia Mafra e família, em restaurante de um shopping, e a efusividade de seu cumprimento contagia a todos em mesas vizinhas. O microfone, quando usa, é apenas um apêndice necessário ao exercício da profissão. E lá fomos lembrar dos anos 1970, ele na Rádio e depois, também, na TV Gazeta, e eu, militando no futebol com o meu querido CSA. E comparamos o mundo futebolístico da época com ao que assistimos hoje em dia. Citei até o mestre do Direito, Goffredo da Silva Telles Junior, quando, há cinquenta anos, dizia que ?um sindicato ou um clube de futebol é, no sentimento do povo, muito mais importante do que um partido político?. E ao que assistimos hoje é que todos, sindicatos, clubes de futebol e partidos estão se nivelando por baixo. O espetáculo dantesco, que a televisão continuadamente nos mostra, constata essa verdade, nas arquibancadas. Porém, o mais chocante é que, se os clubes de futebol, descendo a ladeira da confiabilidade, partindo para uma convivência promíscua com suas torcidas, sempre são condenados a alguma pena, pecuniária ou com perda de mando de campo, por que os partidos políticos, quando os seus integrantes e até dirigentes são condenados pela Justiça por mal feitos, não recebem nem uma punição e ainda se insurgem contra o poder judiciário, com atos de desagravo aos apenados e, logicamente, de agravo àquele Poder? Deixamos para lá a política e de pronto lembrei de, certa noite, encontrar Márcio jantando no Bar das Ostras com Alice Maria, então diretora da TV Globo. Ao ser apresentado, disse-lhe que não estranhasse se Márcio desaparecesse do outro lado da mesa. Contei que, certa feita, estava o jornalista no comando do seu programa esportivo, na TV Gazeta, quando, de repente, desapareceu da telinha: a cadeira havia quebrado e Márcio sucumbido. Disse-me, agora, que aquela não teria sido a única vez que caíra. Sempre gozador e reconhecendo a grande estatura que lhe confere bastante peso, pediu aos espectadores que escrevessem à TV pedindo que arranjassem uma cadeira mais forte ou tentassem descobrir quando seria a próxima queda. A queda, Márcio, quem levou fomos todos nós, quando perdemos seu convívio diário, em virtude de sua ascensão na carreira jornalística.