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OS NOVOS TEMPLOS DO FUTEBOL

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Esporte de devoção próxima ao fanatismo religioso, o futebol precisa de templos. O Brasil já teve o maior de todos, colossal no tamanho e no mito, o velho Maracanã inaugurado em 1950. Agora, dispomos de quatorze arenas para servirem de palco perfeito ao melhor futebol do mundo ? e o torcedor comparece a ponto de o Campeonato Brasileiro de 2013 bater recordes de público e de renda. A bilheteria dos 380 jogos da Série A somou R$ 176,6 milhões, um aumento de 48% em relação a 2012. O público aumentou 15%, passando de 5 milhões para 5,7 milhões de torcedores. Os dados são da consultoria BDO, que os atribui ao apelo atrativo dos estádios reformados ou construídos para a Copa das Confederações, disputada em junho, que são o Mineirão, o Maracanã, a Fonte Nova, a Arena Pernambuco, o Mané Garrincha, o Castelão, e mais a arena do Grêmio. De fato, o público respondeu ao conforto, às cadeiras numeradas, à acessibilidade, à visão ampla do jogo. Os estádios modernos, de arquitetura arrojada, ao mesmo tempo bela e funcional, rompem, enfim, a tradição brasileira do desconforto das intempéries e da arquibancada de cimento. A média nos novos estádios em 2013 chegou a 21.774 torcedores ? nada menos que 88% a mais que a dos antigos, de apenas 11.612. Registraram-se fenômenos típicos do sincretismo esportivo: em Brasília, que não teve um time sequer na Série B, o Estádio Nacional Mané Garrincha recebeu um público médio de 36.644 torcedores, atraídos pelos clássicos de clubes do Rio e de São Paulo. Restam pontos a acertar, sobretudo o preço dos ingressos, ainda muito altos para a renda média do torcedor. Uma proposta em estudo é a do subsídio cruzado ? os melhores lugares ficariam ainda mais caros para subvencionar a venda de entradas a preço mais baixo. Há de ser considerada a experiência do São Paulo, que reduziu o preço até a R$ 2 (menos que os R$ 3 da passagem de ônibus), lotou o Morumbi e ainda assim obteve excelentes bilheterias, registrando, num jogo com o Fluminense, 55.256 pagantes e arrecadação de R$ 658,5 mil. Campo de futebol e roda de samba, seja em nesga de terra ou no meio da rua, decorrem de paixões que integram a identidade nacional. Daí que um dos maiores intérpretes do Brasil, o antropólogo Darcy Ribeiro, inventou e deu nome ao primeiro sambódromo, em 1984, no Rio de Janeiro, sede do Maracanã, entrelaçando a importância desses espaços sagrados da liturgia profana.

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