Opinião
A firmeza e a delicadeza das investiga��es p�blicas
Mais uma vez, o Ministério Público Estadual, através do Gecoc (Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas), conduz uma incisiva investigação sobre supostos desvios de recursos públicos em Alagoas. Desta vez, o município de Marechal Deodoro foi o alvo de uma ação de busca e apreensão de documentos a serem analisados em decorrência de denúncias de malversações. Corretamente, a ofensiva do MPE não antecipou julgamentos, preservando informações que ainda são foco da investigação, mesmo diante do natural açodamento da mídia. Têm suas razões, os repórteres, quando trabalham inclementemente para escavar dos inquéritos nomes e números. Afinal, esta é função do jornalismo investigativo: buscar avançar além dos releases enviados pelos órgãos oficiais e buscar elementos esclarecedores sobre as ocorrências que motivaram a suspeição. Mas mais razão tem ainda o MPE e as demais autoridades envolvidas nesse tipo de inquérito quando resguardam nomes dos suspeitos e dados sobre o que está sendo esmiuçado. Afinal, a experiência comprova que, mais das vezes, o simples levantar de um nome, de forma precoce, pode provocar injustiças e danos irreversíveis à reputações que, no caso de absolvição ao fim dos processos, jamais são reconstruídas a contento. No caso da ação desencadeada no município de Marechal Deodoro, vale a pena assinalar a posição da prefeitura local, que, desde o primeiro momento, afirmou sua disposição em colaborar com a investigação. Isto é o correto, pois a administração pública não pode, sob a justificativa da defesa do todo, acobertar possíveis malfeitos de parte. O melhor caminho para o gestor público é abrir as portas das repartições sob suspeita para as auditorias e investigações das autoridades competentes. Tais cuidados são essenciais para o distanciamento efetivo da ação investigatória frente aos interesses políticos e partidários, especialmente em temporada de caça ao voto. Em todos os momentos deve ser preocupação do poder público o permanente afastamento do investigador, assim como o julgador, da pressão provocada pelas paixões políticas que permeia a sociedade. Este é o grande desafio.