loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

AS AMENIDADES DA ARTE E DO AMOR

Ouvir
Compartilhar

Nem crime hediondo nem política rasteira. Esse espaço, hoje, será ocupado pelas amenidades da arte e do amor: Louis Armstrong fazia uma turnê pelo meio oeste dos Estados Unidos da América durante a Grande Depressão. Fazia frio naquela noite em Kansas City quando se apresentou em um cine teatro e um grupo de jovens que não o conheciam e nunca ouviram o jazz compareceu. Eles queriam apenas divertirem-se: dançar, paquerar, tomar uns goles, naquela cidade interiorana, então afastada e isolada dos grandes centros. No grupo, estava um rapaz tímido, Charles Black; ele ficou mais impressionado que os demais com o que viu e ouviu naquela noite. Anos mais tarde, em suas memórias, Black ? cujos contatos com os negros até então se limitavam a observá-los como seres servis em situações inferiores ? escreveu que pela primeira vez em sua vida conhecera um gênio. E o gênio era um negro. Black, anos depois, formou-se em advocacia em Yale, e foi o principal advogado do grupo que voluntariamente defendeu perante a Suprema Corte norte-americana a vencedora ação cuja sentença determinou ser a discriminação racial nos EUA, anticonstitucional. Duke Ellington, cuja biografia só agora veio a lume nos EUA e ainda não tem tradução para o português, foi outro grande gênio do jazz e da música de todos os tempos. Ellington compôs clássicos que agregavam emoção e profundidade, dando à música popular, a densidade e a complexidade melódica da música erudita. Terry Teachout biógrafo de ambos, em recente entrevista, deu-lhes uma curiosa diferença: após entrevistar vários de seus contemporâneos, afirmou que Louis Armstrong era muito amado, porém Ellington era objeto, sobretudo, de admiração. Sartre, cuja obra tanto debateu a existência e coisas bastante complexas, já idoso, em última entrevista dada ao lado de Simone de Beauvoir, afirmou simplesmente que o mais importante para o ser humano era ser amado pela família, sentir-se importante e indispensável pelos familiares. Mas, quem está interessado nisso por aqui? Os políticos? Os artistas, gênios brazucas, outros estão interessados em como ficará o seu registro biográfico? Preocupados se serão esquecidos, admirados ou o mais difícil ? se serão amados depois de partirem? Mas, afinal, quem disse que arte e amor eram amenidades?

Relacionadas