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Nº 5750
Opinião

O Advento

DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Estamos celebrando um novo tempo na liturgia católica chamado Advento, onde retomamos a caminhada salvífica de um povo na expectativa da vinda de Jesus no tempo e na história. Somos convidados a viver o Natal, onde Deus quis c

Por | Edição do dia 01/12/2002 - Matéria atualizada em 01/12/2002 às 00h00

DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Estamos celebrando um novo tempo na liturgia católica chamado Advento, onde retomamos a caminhada salvífica de um povo na expectativa da vinda de Jesus no tempo e na história. Somos convidados a viver o Natal, onde Deus quis comunicar-se de forma completa a um outro ser diferente dele. Dignou-se dar-se de presente a alguém e não quis aparecer como Deus, mas como pessoa humana. Por isso, a vinda de Deus em nossa carne significa, segundo o pensamento do Vaticano II: “a completa hominização e a realização do desejo utópico do ser humano”.(Gaudium et Spes,10). São três os momentos natalinos: Natal Escatológico, partindo do 1º Domingo do Advento até a semana que antecede o Natal. Ele recorda pelas leituras a caminhada do Povo de Israel e a esperança da vinda de um Messias: “E tu Belém, terra de Judá, és a menor entre as cidades de Judá e de ti nascerá um chefe para apascentar o teu povo Israel”. É uma certeza marcada pela história de uma comunidade sofrida e temente a Deus. Natal Histórico, na própria semana do Natal todos os acontecimentos partem da pequena Belém, para acolher e reconhecer o Senhor, que continuamente vem ficar no meio de nós e nos ensina a seguir o caminho que nos leva ao Pai. Natal da Graça, na semana chamada “oitava do Natal”, nós celebramos o nascimento de Jesus que nos faz participar da graça de um Deus feito homem, nos introduzindo no Reino para “tomar parte da vida eterna”, com os bem-aventurados e os santos do céu. Só poderemos viver o Advento na Igreja se partirmos de fatos concretos, pela vigilância, pelo acolhimento mútuo, nos alegrando com a libertação que está próxima, o Emanuel Deus conosco. Celebrando cada ano este mistério, a Igreja nos exorta a renovar continuamente a lembrança do tão grande amor de Deus para conosco, nos fazendo compreender que Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido de nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não lhe opusermos resistência. Recordando a pobreza escolhida por Cristo, o bispo São Gregório de Nazianzo escreveu em seus sermões: “Aquele que enriquece os outros torna-se pobre. Aceite, Senhor, a pobreza de minha condição humana, para que eu possa receber os tesouros de sua divindade”. Que esse tempo nos recorde que a esperança nunca poderá morrer, porque como o primeiro Adão contagiou toda a humanidade e atingiu o homem todo, assim agora é preciso que Cristo seja o Senhor do homem todo, porque ele o criou, redimiu e o glorificará. O Vaticano II afirma: “Na realidade o mistério do ser humano só se ilumina verdadeiramente no mistério do verbo encarnado... Cristo manifesta plenamente o ser humano e lhe descobre a sua altíssima vocação (Gaudium et Spes, 22). Que possamos viver esse tempo forte de preparação para o Natal, com os corações abertos e disponíveis sempre realizando a vontade do Senhor. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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