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Nº 5756
Opinião

Os pobres pagam a conta

De novo, a lógica inversa. O governo de FHC tem demonstrado, na prática, ser uma espécie de Robin Hood às avessas. A política econômica penaliza os mais pobres para pagar os mais ricos. Enquanto os bancos nacionais aumentam seus lucros, ano após ano, o go

Por | Edição do dia 01/12/2002 - Matéria atualizada em 01/12/2002 às 00h00

De novo, a lógica inversa. O governo de FHC tem demonstrado, na prática, ser uma espécie de Robin Hood às avessas. A política econômica penaliza os mais pobres para pagar os mais ricos. Enquanto os bancos nacionais aumentam seus lucros, ano após ano, o governo reserva gordas fatias do dinheiro que arrecada do povo brasileiro para pagar os juros aos banqueiros internacionais. Não bastasse isso, as últimas medidas do governo na área econômica provocam mais estragos entre as camadas mais pobres da população. Os reajustes dos combustíveis anunciados na sexta-feira pela Petrobras é só mais um destes exemplos. Os aumentos deverão afetar mais o bolso da população de baixa renda, segundo vários analistas econômicos. Os economistas prevêem que o impacto dos aumentos e reduções divulgadas pela estatal representará elevação de 0,08 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, índice que se refere a famílias com renda entre um a quarenta salários mínimos. Já no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se refere a famílias com renda de um a oito salários mínimos, a contribuição destes aumentos será de 0,145 ponto percentual – quase o dobro. Os números anunciados pelos economistas fazem partes de um cálculo que leva em conta centenas de fatores. Mas para o assalariado a inflação real será bem maior. Quem ganha o mínimo, por exemplo, terá que gastar pelo menos 1% a mais do seu salário para arcar com o aumento do preço do botijão de gás, que deverá passar de R$ 28 para mais de R$ 30 em Alagoas. O trabalhador que ganha dez salários (R$ 2 mil) terá um impacto dez vezes menor ou apenas 0,1%, Com esse reajuste, o trabalhador terá que gastar pelo menos 15% do valor de face do mínimo para comprar o botijão de gás. Se continuar assim, a população de baixa renda, que mal têm dinheiro para comprar comida, em pouco tempo terá que comer os alimentos crus. Para alimentar o sistema financeiro internacional, o governo tira comida da boca dos pobres. Sem dó, nem piedade.

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