Opinião
TUDO COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES!
Começo o ano lendo a coluna do Cláudio Humberto na Gazeta e me deparo com uma nota intitulada ?Feliz Ano Novo? em que ele relata o fato de que antes do apagar das luzes de 2013 os ministros do STF empenharam R$ 914,9 mil para compra de 7 carros de luxo Azera. Cada um custa R$130,7 mil. Desejei um carrão desse mesmo parecendo carro de tiozão (afinal, já sou um tiozão), mas o preço me colocaria na incômoda situação de pagar um financiamento bem salgado e com prazo quase interminável. Deixei pra lá, não é para o meu bico mesmo. Questiono por que essas autoridades necessitam desses carrões de luxo para ir e vir ao trabalho? Não bastariam os carros nacionais mais em conta? Somos filhos da vaidade extrema, da arrogância e da insensibilidade política neste país que parece não querer evoluir. Isso me leva de imediato à reflexão de Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro estudioso sobre as dinâmicas da emoção e da construção dos pensamentos quando afirmou que a vaidade é o caminho mais curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve. A notícia também me fez lembrar que as manifestações de junho começaram com a revolta daqueles que são obrigados a pagar passagem de ônibus urbanos a preços que nunca correspondem ao serviço prestado e de imediato me veio à mente a celebre frase atribuída a Maria Antonieta quando dos protestos de Paris: ?Se os pobres não tem pão, que comam brioches?. Por que tanta iniquidade? Será parte da herança histórica mencionada no livro de Laurentino Gomes (1889) quando relata que o império outorgou títulos de barão a torto e a direito ao ponto de virar chacota dando origem ao dito popular ?Sai daí cão, que te faço barão?? Nossas autoridades insistem em permanecer apenas no discurso em relação às condições das nossas penitenciárias, ambientes degradantes e infectos, vergonha para qualquer nação civilizada, mas não abrem mão do piso de porcelanato em seus gabinetes; esquecem os inúmeros córregos com dejetos e porcos a céu aberto presentes em muitas das nossas cidades como aquele que temos bem ali, pertinho de nós, na virgem dos pobres, mas não abrem mão do próprio conforto, pompa e circunstância, sempre com dinheiro público. Quer saber, ministro? Se deseja um carro daquele, então trabalhe, rale, compre e seja feliz. Mas não use o nosso dinheiro para isso. Ainda tem tanta miséria por aí... Pois é, tudo como dantes no quartel de Abrantes!