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Já se vão duas semanas do novo ano que promete surpresas. As emoções das festas se foram, as confraternizações, os abraços calorosos, as promessas de que seremos melhores nessa nova caminhada pela vida. Enquanto chega o carnaval, voltamos a cair na real. Mas, o que muda mesmo? Tudo não continua igual a ontem, ao ano que passou? Se ligamos a TV, lemos os jornais, nada é diferente. As notícias são sempre as mesmas, evidenciando o que é mais comum nesse nosso país, loteado em feudos dominados por senhores ou senhoras que tratam seres humanos como meros escravos protagonistas das mais estúpidas cenas de carnificina patrocinada pelo Estado. O Maranhão é mais um pedaço de Brasil que escandalizou o mundo mostrando as entranhas do seu desumano, brutal, violento sistema prisional. Enquanto eles, os governantes se banqueteiam com um cardápio recheado de lagostas, camarões, caviares, vinhos importados de safras especiais, outros singram pelos céus do Brasil, voando em aeronaves exclusivas para serviços de segurança nacional apenas para implantar algumas mechas novas de cabelo na lustrosa calvície. E nós, com cara de trouxas, continuamos pagando a conta e os reelegendo a cada novo pleito. Só não podemos perder a esperança. Temos que continuar acreditando que mais cedo ou mais tarde alguma coisa haverá de mudar. É sempre bom recomeçar com espírito otimista, apostando que o amanhã será diferente. Afinal, conquistamos a confiança da Fifa e vamos realizar um sonho de consumo de poderosas nações: a Copa do Mundo. Mesmo com um universo incalculável de deficiências, vamos fazer a Copa, sim, colocando em prática mais que nunca o famoso ?jeitinho brasileiro?. Bilhões de reais investidos em estádios que serão eternos elefantes brancos, sem nenhuma utilidade prática no dia a dia da vida futebolística de muitas capitais brasileiras, como Brasília e Manaus, por exemplo. Aeroportos emporcalhados sem a mínima estrutura para o funcionamento doméstico e um serviço de transporte urbano da pior qualidade, para não falar das péssimas condições do abastecimento de energia em todos os estados brasileiros. A Copa é nossa, independente da desorganização que mostraremos ao mundo. Ganhando em campo, o povo esquece tudo e o governo recarrega a bateria do seu discurso rumo à reeleição.

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