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Opinião

O CULTO RELIGIOSO E O TERRORISMO

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Imaginem uma recente viagem à Cidade do México, uma capital movimentada e cheia de destinos turísticos; nela encontro uma metáfora do Brasil: pobreza e riqueza, luxo e miséria, educação e deseducação, confraternização de raças, violência diária, medo de assaltos. Um ponto chamou minha atenção: os que não estão no poder acalentam um desejo de consumo: um meio de trocar o país pelos Estados Unidos. Leitor assíduo de jornais, passei a vista pelas manchetes dos periódicos locais: o destaque naquele momento era um atentado terrorista no Líbano que matou uma brasileira de 17 anos. Estava estudando em Beirute, capital do Líbano. Mas meu objetivo no México era bem outro: visitar a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. E, pela segunda vez, contam-me a origem dessa devoção. No século 16, um índio de uma pequena tribo subiu um dos montes próximos à cidade. Um clarão, uma voz e uma senhora de sobre-humana beleza, lhe dizia: ?eu sou a Virgem Maria; procure o bispo e diga que desejo que seja construída, neste local, um templo, para minha invocação?. O bispo não acreditou; o índio insistiu, riram dele. Dias depois, novo encontro com a Divina que o fez recolher um buquê de flores silvestres para mostrar ao bispo. Na presença do prelado, o índio desdobrou o manto com as flores. Para surpresa de todos, eram rosas deslumbrantes, variedades desconhecidas na região e no país. O templo foi erguido e o culto foi perpetuado. Voltando, lembro a brasileira Malak Zanhe, vítima do atentado terrorista em Beirute. Era feliz, completava o curso de Engenharia Elétrica para voltar ao Brasil. Essa agressão terrorista fez mal a todo mundo. Guerra aos inimigos religiosos é o lema desses xiitas. Homens-bomba passaram à ordem do dia. Alguns países muçulmanos aderiram a essa luta. O Jihad ? denominação dada à luta santa contra os inimigos ? assombra o planeta. Fundamentalismo, radicalismo, sectarismo viraram modismos. Lembro Leonardo Boff: ?As tragédias nos dão a dimensão da inumanidade de que somos capazes. Mas também deixam vir à tona o verdadeiro humano que habita em nós, para além das diferenças de raça, de ideologia, de religião. E esse humano em nós faz com que juntos choremos, juntos nos enxuguemos as lágrimas, juntos oremos, juntos busquemos a justiça, juntos construamos a paz?.

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