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Alagoas completa hoje 205 anos de emancipação política. O fato aconteceu graças a um decreto assinado pelo então rei de Portugal D. João VI, que desmembrou o território alagoano da capitania de Pernambuco. Segundo alguns, teria sido um prêmio a Alagoas por não ter aderido à Insurreição Pernambucana contra a coroa.

De qualquer forma, em 1817 a região de Alagoas já se apresentava como uma das economias mais dinâmicas e organizadas do Nordeste, o que permitiu o desenvolvimento social e cultural da população. Durante muito tempo, aliás, Alagoas chegou a ser considerado o “filé do Nordeste”, por causa de suas condições privilegiadas. Mesmo sendo um estado pequeno, um dos menores do País, Alagoas sempre teve papel relevante na história política nacional. Foi daqui que saíram três presidentes da República, entre eles os dois marechais que consolidaram o regime republicano. O Estado também legou ao País muitos intelectuais, como Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, Artur Ramos, Nise da Silveira, Aurélio Buarque de Holanda e Lêdo Ivo. Nas últimas décadas, entretanto, Alagoas vem apresentando indicadores sociais negativos em várias áreas: educação, saúde, saneamento, segurança pública. Somos o estado com maior número de analfabetos e estamos entre os mais violentos. Pesquisa divulgada esta semana mostra que Alagoas tem a maior proporção de pessoas em situação de insegurança alimentar, ou seja, que não conseguem se alimentar adequadamente. Também continuamos no topo do ranking do analfabetismo. Além disso, do ponto de vista econômico, o Estado continua extremamente dependente da União e incapaz de caminhar com as próprias pernas, Nesses 205 anos, portanto, Alagoas já viveu fases de pujança econômica mas também períodos de estagnação. Com isso, há muitas demandas a serem atendidas. Estamos em época de eleições, e é preciso que o alagoano reflita bem ante de decidir em que vai dar o voto. É preciso ver além das propagandas oficiais, que retratam um estado de ficção. A população espera que os governantes de fato implementem políticas para mudar essa realidade.

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