Opinião
CULTURA DO ENCONTRO
Quando estive na Jornada Mundial da Juventude, o papa celebrou uma missa com alguns padres na Catedral do Rio de Janeiro. Seu discurso foi todo pautado na cultura do encontro. Ele clamava aos pastores ali presentes que a experiência do encontro com Jesus Cristo pudesse ser refletida de tal forma que fizesse com que as relações com todas as pessoas fossem um profundo ?tocar a existência do outro?. Agora, com a carta lançada por ele falando sobre a Alegria do Evangelho, novamente o assunto emerge. O Evangelho nos faz ter uma dimensão social comunitária, ele afirma. Impele-me a ir ao outro! Em um mundo em que reina a superficialidade, ?encontrar-se? se torna cada vez mais difícil. Somos conectados a ponto de acontecer o risco do simulacro, em que o virtual assume o papel do real. Quantos jovens partilham mais a vida nas redes sociais que presencialmente! Expor o que sente e receber algumas ?curtidas? já é o suficiente para aqueles que têm uma alteridade em que o outro é apenas ?eu? mesmo, ou seja, eco do meu ego. Na selva de pedras, não se há mais aquele encontro com os outros. Estamos juntos, mas não unidos. Somos muitos, porém desconhecidos. Será que eu sei quem são meus vizinhos? Tenho relações mais profundas com aqueles que encontro rotineiramente? As pessoas passam despercebidas por mim durante o dia? O papa ressalta que um verdadeiro cristão deve ir ao encontro de outrem. E isso inclui até mesmo sua realidade total, com necessidades, misérias, pecados, defeitos... Extremamente forte, quando, em seu texto, ele nos exorta a uma mudança de mentalidade em relação aos pobres. Um discípulo de Cristo deve ir ao encontro dos mais marginalizados e isso é uma dimensão do Evangelho que não pode ser descartada ou reduzida a atos de caridades pontuais em nossa história de vida. Encontrar-se com os pobres é encontrar-se com o próprio Cristo, porque Ele se fez pobre. Resolvi escrever sobre isto porque estas palavras do papa até hoje têm produzido eco em mim. Encontrar-se é como reverenciar o outro, por aquilo que ele significa. Posso tocá-lo, senti-lo, abraçá-lo. Posso, inclusive, amá-lo! Belo encontro esse, reflexo de Quem já me encontrou. Ele dá sentido a toda verdadeira alteridade.