Opinião
Apetite leonino contra os sal�rios brasileiros
No dia de Natal do ano passado, as autoridades econômicas anunciaram uma nova correção na tabela do Imposto de Renda, que será ajustada abaixo do índice inflacionário, como nos anos anteriores. Ao corrigir a tabela em níveis mais baixos que os registrados pela inflação, a foice do tributo ceifa ainda mais perto do chão, alcançando com seu fio implacável cada vez mais brasileiros, cada vez mais gente que recebe salários menos adiposos. Trata-se da preservação de uma antiga regra estipulada pelo sistema tributário nacional: caçar os salários em lugar da renda propriamente dita. Essa opção preferencial pelos assalariados faz parte do cardápio do leão da Receita há 18 anos. Desde 1996 que a tendência de mirar nos salários se mantém inabalável, mesmo durante o congelamento que se estendeu até 2001, quando, a partir de então, todos os ajustes foram definidos em patamares inferiores ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). São 18 anos de arrocho tributário sobre o assalariado. Segundo pesquisadores, em 1966 eram isentos do pagamento do IR as pessoas que recebiam até 6,55 salários mínimos ? de acordo com pesquisa da Ernst & Young, que contrapõe os percentuais previstos para 2014, quando ?essa relação despencará para 2,47 [salários mínimos]. As garras leoninas da Receita, a cada ano, são cravadas em mais gente que ganha menos. A rigor, o IR brasileiro prefere os contribuintes que não possuem renda. Para usar um termo mais conhecido, apesar de economicamente impreciso, os brasileiros de ?baixa renda? estão em alta, em termos do apetite do leão da Receita. A cada dia, o que seria o Imposto sobre a Renda passa a ser mais um imposto sobre o salário. Em boa parte dos casos, abocanhado antes mesmo dos cidadãos receberem seus proventos, pois o velho e insaciável leão lhes crava os dentes na boca do caixa. Ano após ano, aumenta o cordão dos aflitos na interminável fila de espera da ?devolução do Imposto de Renda?. E novidades são especuladas nesta seara. Os micro e pequenos empreendedores estariam na alça de mira da burocracia tributária, que estão sentindo o aroma dos ?lucro e dividendos a partir de R$ 60 mil anuais?, isentos desde 1995.