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Opinião

Um ancestral jogo de cena internacional

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Espionar, infelizmente ou felizmente, é uma prática que antecede à formação dos Estados modernos. Os registros sobre a pertinácia dos olheiros e do tráfego de informações sigilosas acompanham a história antes da escrita, consolidando-se quando da monumental revolução da gramática. Um dos mais antigos tratados sobre estratégia, intitulado A arte da guerra e assinado por um suposto general chinês chamado Sun Tzu, data de 400 anos antes de Cristo e já coloca como fundamental o conhecimento prévio, por parte de um comandante, do que seu adversário estaria planejando. Para vencer um conflito, o comandante teria de saber trabalhar com ?o segredo, a dissimulação e a surpresa?. Ao longo de 2.400 anos, a coisa pouco ou nada mudou nesse cenário. As declarações do presidente dos Estados Unidos dando explicações, justificativas e asseverando modificações (reduções) nos programas de espionagem americanos são a mais pura dissimulação. Não são surpresas, também, a existência e a preservação da monumental rede de espionagem americana. Qualquer potência faria a mesma coisa, que dirá a única superpotência de seu tempo! As denúncias recentes feitas pelo ex-agente Edward Snowden e pela organização WikiLeaks apenas dimensionam um pouco o que todos sempre imaginaram existir. Não há porque se entusiasmar com as declarações oficiais da Casa Branca. Obama não pode desempenhar outro papel nesse teatro, assim como os espionados têm, por sua vez, também de cumprir o script. Quem foi vítima da espionagem deve protestar com veemência, até porque, se não o fizer, não terá nem o benefício da dissimulação do bisbilhoteiro. O protesto, se bem feito, produz resultados localizados e podem justificar ações ?em defesa da honra? como movimentos comerciais atípicos (como adquirir equipamentos estratégicos noutra freguesia). Mas é pura ilusão imaginar que um governo de qualquer país ascendente possa ficar de fora da lista dos arapongas ianques. Seja aliado ou não, será espionado. E não só pelo mais forte, mas até o vizinho mais fraco também dá sua espiadinha ? isto é certo. Resguardar seus segredos ao máximo, portanto, é o que importa. O resto é jogo de cena.

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