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Por um basta nos abusos na telefonia

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Não foi surpresa, apesar do valor, a multa aplicada a uma das operadoras de telefonia celular em Alagoas. Os serviços nesse nicho fundamental estão cada dia piores e algo precisa ser feito em defesa dos consumidores. É relativamente fácil entender o gargalo. Salvo explicações mais abalizadas e complexas, a situação sugere-se como resultado da desproporção dos investimentos. Enquanto os usuários gastam o que podem e o que não poderiam para se integrar, via telefone, ao mundo digital, as empresas não fazem o mesmo e investem menos que o mínimo necessário para receber condignamente sua clientela em irresistível crescimento. As panes (verdadeiros apagões) podem ter, por parte das empresas prestadoras desse serviço, as mais criativas explicações. Mas o verbo não consegue, em nenhuma hipótese, justificar o que o consumidor sente na pele e no bolso. A multa parece ser o único caminho para consertar esta situação caótica, mas a penalidade pecuniária só cumprirá seu papel se as empresas sentirem n?alma que é menos oneroso investir no atendimento do contratado que pagar as punições por não fazê-lo. Esse vício tem origem na chamada ?piratização? contra as telecomunicações, processo maquiado pela mitologia tucana e sua grande mídia amestrada. O público em geral é pressionado a crer que a privatização das teles seria a responsável pelo advento da comunicação sem fio, daí proliferando o falso entendimento que as empresas dessa área possam merecer um crédito a mais. Tolice: quem introduziu a telefonia sem fio no Brasil foi uma estatal, a Telebrás (com acento). Os menos infantis em Alagoas lembrar-se-ão da Telasa Celular. Depois do caminho aberto pelas estatais, na hora de se ganhar rios de dinheiro pelo fim do trabalhoso e custoso sistema analógico, a mina foi passada adiante de forma suspeitosíssima. Um dos resultados é que o vício do ganho fácil parece ter se consolidado, daí a resistência à necessidade de se investir proporcionalmente ao aumento da demanda. O hábito do lucro fácil pressiona para manter a bandalheira da forma que está, embolsando os que vêm dos consumidores e não desembolsando o necessário para atender-lhes. Sem rigor exemplar por parte das autoridades, esse abuso não refluirá tão cedo.

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