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ACADEMIA DE MEDICINA E �TICA

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Parece que foi ontem, alguns estimados e admirados colegas: Milton Hênio, Antônio de Pádua, Agatângelo Vasconcelos, José Wanderley e o saudoso José Lima idealizaram e criaram a Academia de Medicina de Alagoas. Contudo, no próximo dia 29 de janeiro, passar-se-ão 20 anos. A cerimônia inaugural e posse dos acadêmicos, presidida pelo dr. Milton Hênio com discurso do dr. Ib Gatto, ocorreu no auditório superlotado da Casa da Indústria. Levei esposa, filhos e meu idoso pai. Ao final, uma foto histórica com os quarenta acadêmicos, muitos dos quais, já partiram, sendo substituídos por colegas de idêntico valor. Nosso inspirador, Hipócrates, consagrou-se como o pai da medicina não pelos milagres, mas pelo cunho científico que lhe deu. Em uma época na qual ela se misturava com a religião e a magia, Hipócrates, discorrendo sobre a epilepsia, então considerada pelos gregos e romanos uma enfermidade sagrada (morbus sacer), afirmou que isso provinha da dificuldade de entender a doença. Havia um deus tutelar da medicina, Asclépio ou Esculápio e duas deusas, Panacéia, a divindade da cura, e Higiéia, da saúde. Esta última era uma manifestação de Atena, a deusa da razão; significando, obviamente, que a manutenção da saúde dependia de medidas racionais. A racionalidade de Hipócrates chegaria a uma ruptura com o pensamento mágico-religioso. Para ele, a doença estava ligada à realidade, ao cotidiano do indivíduo, chegando a um esboço do conceito ecológico de enfermidade, segundo o qual a doença resultaria da interação entre ser humano, agente e meio ambiente. Hipócrates, evidentemente, não estava familiarizado com os agentes patogênicos (descobertos muitos séculos depois), mas a associação que fez entre meio ambiente e patologia é notável. No lugar dos preceitos religiosos, legou-nos a ética. O juramento de Hipócrates estabelece regras de conduta para a prática profissional. Começa com uma prudente invocação aos deuses da medicina (afinal, por ter negado os deuses, Sócrates teve que tomar cicuta). Logo em seguida, vem o tributo aos mestres. Seguem-se coisas que os médicos não devem fazer. Finalmente, atitudes morais. Para Hipócrates, quem quisesse se dedicar à medicina deveria ter uma capacidade ímpar de dedicação ao estudo e ao trabalho. Dois mil e trezentos anos depois, nossa Academia de Medicina, sob a honorável presidência de Ednaldo Holanda, rende seu tributo àquele que inspirou o que existe de melhor na arte médica.

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