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Opinião

Expectativa de vida

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A violência incontrolável que toma conta do País está reduzindo a esperança de vida do homem brasileiro e, em conseqüência disso, emperrando nossa escalada no ranking da organização das Nações Unidas. Segundo pesquisa apresentada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tábua de vida mostra que as mortes por causas externas ? assassinatos, acidentes e suicídios, entre outras ? distanciam homens e mulheres: em 2001, elas viviam 7,8 anos a mais que eles. Isso ocorre porque, nos jovens entre 20 e 29 anos, a violência faz três vezes mais vítimas homens. Esse estudo fornece às autoridades brasileiras uma ordem de grandeza sobre o impacto das mortes externas. As pessoas estão morrendo precocemente e só um plano de ação articulado, e não apenas de retórica, resolveria o problema. Em Maceió, temos um exemplo desses dados lamentáveis e de como a solução está longe de ser alcançada, por falta de uma política de ações mais fortes. Referimo-nos à impunidade que tem havido em relação às gangues de jovens, que a cada semana faz novas vítimas, principalmente nos bairros mais pobres. A violência no Brasil, mais do que preocupante, é assustadora, especialmente pelos níveis de sofistificação que vem alcançando nos últimos tempos. A nível de Brasil, basta dizer que, de dentro dos chamados presídios de segurança máxima, traficantes de drogas conseguem comandar seus negócios, emitindo ordens, inclusive, de assassinatos. O problema, no entanto, não pode ser resolvido com ações isoladas e, infelizmente, no curto prazo, como exigem os cidadãos. Mas é possível, no mínimo, criar condições psicológicas primitivas no seio da sociedade por meio da garantia de que haverá prevenção e pressão eficientes. A partir daí, e o mais importante, é necessário trabalhar em cima de projetos amplos, que possuem íntima relação com o aperfeiçoamento da cidadania. De fato, havendo empregos, escolas e atendimento médico gratuitos destinados ? apenas para se ficar nesses exemplos mais eloqüentes ? à população menos favorecida, menos motivos existiriam para os conflitos que vêm transformando o cotidiano em manobras de guerra, ainda que não declarada. No âmbito familiar, sobretudo, é preciso que os valores de uma vida ética e harmoniosa sejam resgatados. É em casa, induvidosamente, que se pode dar as boas referências para a formação do caráter do indivíduo ou, de outro modo, deixá-lo à deriva. A questão, como se vê, é bem complexa e bem maior. Não se resolverá num passe de mágica, sobretudo num país que se debate há anos com os tipos mais trágicos de dificuldades, como a fome. Mas não se pode ficar parado nem jogar os obstáculos para debaixo do tapete. É impossível ignorar a violência. Resta enfrentá-la de maneira firme, paciente e obstinada. Caso contrário, vamos descer cada vez mais no ranking da expectativa de vida.

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