Opinião
LA VENDETTA � UN PIATTO CHE SI MANGIA FREDDO!
A Assembleia Legislativa bateu pesado no Ministério Público e repetiu o título do filme de Pasquale Squitieri de 1971 que dá nome a este artigo. Será que a vingança é um prato que se come frio? Os deputados que raparam na carne e só deixaram o osso no orçamento do MP devem pensar que sim. Mas, como para tudo se tem uma solução, obtive algumas em conversa com amigos e aqui vai a nossa contribuição. Se o MP desejava 1 milhão por ano para seu setor de informática e os deputados cortaram 900 mil, vamos comprar máquinas datilográficas Remington no mercado livre. Além de resolver o problema, matamos as saudades dos saudosistas! Para as correições nas comarcas, fiscalização obrigatória nas promotorias, dos 137 mil, nossos deputados cortaram 100. Ora, que tal o corregedor do MP fazer as correições pelo WhatsApp? Ele será uma celebridade nacional, o primeiro corregedor virtual do Brasil! Vixe! Cortaram 200 dos 240 mil do setor de inteligência do MP (Gecoc etc.), aquele que combate os corrutos e assaltantes. Mas com 40 mil por ano os promotores poderão fazer plantão na sede da ALE, de olhos e ouvidos bem abertos, informando-se das últimas da casa, tipo, programa de marocas. Não vai ser divertido? Da verba para pagamento de estagiários e obrigações trabalhistas com os servidores do MP, eles cortaram 3 milhões dos 3.600 previstos e, aí, bye, bye estagiários e auxílios previstos na lei para os funcionários do MP. Mas, pensando bem, quem precisa dos estagiários, estes chatos que somos obrigados a treinar para serem os futuros profissionais do Direito? E, convenhamos, benefício demais vicia funcionário, estraga, não é mesmo? A lei? Ora, que se dane a lei! Havia também a previsão de 900 mil para construção de novas promotorias no interior, mas cortaram 800. Com os 100, vai dar para construir alguns banheiros novinhos em folha! Da mesma forma, para aparelhar as promotorias previu-se 860 mil e os deputados cortaram 800. Pois, com os 60, se compram alguns banquinhos e algum papel ofício. O resto, a gente pede ao juiz da comarca, que ele é camarada! Tem mais, mas não importa! O fato é que nada vai mudar para os deputados em relação às ações de improbidade e criminais em andamento e nas que se estudam ajuizar. Estes cortes não atingirão o objetivo, pois são ilegais e inconstitucionais. No fim, fica a certeza de que Castro Alves tinha toda a razão quando poetizou: Ai! Que vale a vingança, pobre amigo. Se na vingança, a honra não se lava?