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O PODER DOS MITOS

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Que impacto podem exercer em democracias consolidadas mitos como Mahatma Gandhi ou Nelson Mandela? Desde a independência do país, os herdeiros de Gandhi, que não são parentes de sangue mas adotaram o sobrenome, governam a Índia. Foram 67 anos quase ininterruptos onde a aura do mito indiano determinou o resultado das eleições. Em 2014, a terra dos hindus terá novas eleições e o favorito é novamente um Gandhi, Rahul, mesmo sendo ele notoriamente despreparado e sem talento político. A influência de Nelson Mandela no funcionamento da democracia sul-africana também é imensa. Seu partido, o CNA, governa o país há 20 anos e não há indícios de que isso vá mudar tão cedo. Nas últimas eleições, o CNA obteve 66% dos votos. A disputa interna no CNA é a verdadeira disputa pelo poder no país. Quem quer que conquiste o partido é referendado pelas urnas, mesmo alguém com um histórico de crimes, entre eles estupros, como Jacob Zuma. Se nenhum político latino-americano parece se qualificar para esse Olimpo moderno, não podemos negar que possuímos ao menos alguns semideuses. O peronismo argentino e o chavismo venezuelano, de certo, carregam certa aura de magia. Quando o povo, de qualquer lugar, escolhe um salvador para conduzi-los ao paraíso da classe média, cria-se um encanto difícil de ser quebrado. Afinal, os latino-americanos, assim como os indianos e os sul-africanos, antes de serem ex-colonos, hindus ou negros, são, acima de tudo, pobres. Com as últimas pesquisas apontando a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, surge a dúvida: por quanto tempo a força do lulismo continuará sendo o fator determinante no resultado das eleições brasileiras? O legado de Lula também poderia durar décadas? Alguns acreditam que não, que o lulismo não seria forte o suficiente para sobreviver a uma crise real, com aumento da pobreza e queda na qualidade de vida. Mas será que a filosofia política do ?é a economia estúpido!? se aplica aos mitos? Antes de começar a crescer em 2002, a Índia passou cinco décadas na miséria, sem que os Gandhi saíssem do poder. A Argentina era a Europa sul-americana, agora está pobre e quebrada, mas os Kirchner continuam obtendo a maioria nas eleições. A Venezuela convive com a violência fora de controle, desabastecimento, apagões, saques, inflação de 50%, e aí está, eleito, Nicolás Maduro.

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