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Opinião

VARANDAS

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As casas-grandes não foram apenas uma expressão da cultura açucareira, mas de toda a monocultura latifundiária e escravocrata da época colonial. Encontram-se vestígios delas nos engenhos nordestinos, nos cafezais paulistas, na zona fluminense (Freyre, 2010) e até no Sul dos Estados Unidos, nas plantations, organizadas em torno da plantation house e do slave quarters, a habitação dos escravos; expressões da dicotomia casa-grande e senzala. No Brasil, casas-grandes construídas em ?lugares altos e pendores das serras?, acima do nível do solo, com uma grande varanda dominando a frente (Freyre, 2010); no Sul dos Estados Unidos, as plantations plain house type, com suas varandas tomando toda a largura frontal da casa (Gamble, 1990). Em comum, as varandas, cujos telhados caídos serviam de proteção contra o sol forte e as chuvas tropicais (Freyre, 2010). Varandas que se tornaram o espaço senhorial de descanso: o senhor de escravos sentado em sua cadeira de balanço, no Sul dos Estados Unidos; o senhor de engenho deitado na sua rede, no Brasil (Freire, 2004). Lá, cadeira de balanço; cá, a rede indígena. ?Rede parada, com o senhor descansando, dormindo, cochilando. (...) palitando os dentes, fumando charuto, cuspindo no chão, arrotando alto, peidando, deixando-se abanar, agradar e catar piolho pelas molequinhas, coçando os pés e as genitálias? (Freyre, 2010). Nas cidades, as varandas se disseminaram nos sobrados, de norte a sul. Varandas a quatro ou cinco pés do solo, como testemunhou Auguste Biard, em Belém do Pará, no século 19 (Biard, 2004). As portentosas varandas caíram no imaginário popular como símbolo arquitetônico de status, almejadas por gente ansiosa por se assemelhar aos brancos ricos em sua forma de habitação. Pobres remediados permitiam-se ostentar uma varanda em seus mocambos, em sinal de distinção, onde passavam a desfrutar seu ócio deitado senhorilmente em rede, à maneira do senhor e da iaiá (Freyre, 2004). Até hoje, as varandas exercem fascínio. Como me lembrou um amigo, quando olhamos um apartamento, damos mais atenção à varanda que aos demais ambientes. Elogiamos o tamanho da varanda do imóvel do amigo, comparamos mentalmente com a nossa, e se ela for pequena, comentamos com o cônjuge, a caminho de casa, o quão a varanda dele é apertada.

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