Opinião
Um problema cr�nico em busca de solu��es
Inevitável, retorna à pauta o aumento do preço das passagens de ônibus. A questão é simplesmente incontornável por conta do processo de encarecimento dos componentes da planilha que embasa a definição do valor de uma ?viagem? do transporte coletivo. E não são itens menos relevantes nesse contexto as variações do preço do combustível e os movimentos da própria inflação. Assim, não há como fugir: o espinhoso tema retorna à baila. Nesta quarta-feira, está agendada a apreciação, pela Justiça alagoana, da ação impetrada pela Transpal reivindicando o direito de aumentar o preço cobrado pela passagem nos ônibus urbanos de Maceió. A prefeitura reafirma sua discordância com qualquer aumento no preço atual, ressalvando que, obviamente, respeitará a decisão judicial sobre essa questão ? sendo esta a única motivação para algum recuo nesse posicionamento. Os empresários, por sua vez, redarguem afirmando que a prefeitura precisa oferecer alguma contrapartida para compensar a proposta de congelamento e apontam para alguma redução no cobrado em ISS (Imposto Sobre Serviços), por exemplo ? tema que a municipalidade nem quer ouvir falar e oferece as ?vantagens da faixa exclusiva para coletivos?, por sinal, já pintada de azul em vários trechos... A pendenga não é nada fácil. E com a brutal pressão contra a política do governo federal de congelamento dos preços dos combustíveis, cada dia torna-se mais evidente que essa panela de pressão vai estourar mais cedo ou mais tarde, até porque a Petrobras, de fato, queda-se asfixiada por não aumentar seus preços na proporção que o mercado internacional impõe. No dia em que for liberada a corrida pelo valor real do combustível no Brasil, a situação ficará ainda mais explosiva no item transporte público. Deve-se levar em consideração ainda que as empresas legalmente detentoras das concessões públicas vivem cercadas de concorrentes clandestinos por todos os lados, quer seja pelas opções do tipo ?táxis lotação? quer seja pelas ?vans?, sem falar no temerário serviço de ?mototáxis?, alternativas sobre as quais pesam pouca, ou nenhuma, capacidade de intervenção, normatização e mesmo cobrança por parte do poder público. Em resumo: independente das decisões judiciais e das pressões sociais e políticas, o transporte público no Brasil é um problema endêmico e tendente a se acentuar.