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Opinião

A dureza dos custos do in�cio do ano

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Sabe-se que dezembro é o campeão da gastança. Somam-se no derradeiro mês do ano o espírito presenteador natalino e o advento do 13º salário tendo como resultado um verdadeiro frenesi consumista. Mais das vezes, tal é o entusiasmo do gastador que são literalmente consumidos, antes do fim do ano, os dois salários e, não raro, adentram-se aos cartões de crédito sem a parcimônia que deveria ser característica dos assalariados. Geralmente, o resultado é o primeiro mês do ano ?surpreender? as famílias com seus caixas exauridos. E aí sobrevém um problema adicional: janeiro é o mês no qual alguns incontornáveis dispêndios são apresentados. Este é o momento de aparição de tributos salgados como o IPTU, enquanto o IPVA fecha (ou abre) seu ciclo para os proprietários de veículos, e desabam com carga total os custos do material escolar. Janeiro, portanto, é um mês duro. Quem se lembrou de resguardar algo do 13º salário para o enfrentamento das despesas de início de ano? Sem medo de errar, podemos apostar que apenas uma minoria se preveniu para este embate. O resultado é a corrida (novamente) ao cheque especial e/ou ao cartão de crédito. A municipalidade, sábia, já escalona o IPTU ofertando ao munícipe um juro nada camarada, mas oficialmente menor que o praticado pelas casas usurárias regulamentadas. Multidões são levadas a renunciar aos descontos ofertados para o pagamento integral do Imposto Predial e Territorial Urbano. O móvel IPVA também se distribui ao longo do ano, mas os custos com o material escolar é impiedoso com quem tem seus rebentos ou afilhados matriculados. Aos que optam pela rede privada de ensino, a conta é mais escorchante, mas a rede pública também faz as suas. Ainda nesse item, é de se destacar a mudança de conceito que tem marcado o livro didático nas últimas décadas. Deixando longínquo o tempo no qual um livro escolar servia a várias gerações, passando de mão em mão anos a fio, as publicações contemporâneas são cuidadosamente concebidas para terem validade de apenas um ano; irmão, irmã, primos ou amigos não mais têm o beneplácito da herança dos volumes de matemática, história, português, geografia, ciências... Assim, a cada ano novo, um velho problema ressurge como se estranho fosse: o alto custo dos gastos de janeiro.

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