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Opinião

Mais uma tentativa de organizar o ca�tico

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Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, vaticina o verbo imortal de Fernando Pessoa. Especialmente quando o custo é pequeno, quase toda proposta de solução vale a pena em se tratando de intervenções nos espaços públicos. Este é o caso das persistentes experimentações de engenharia de tráfego que têm sido levadas adiante em Maceió. Em sua maioria, essas ideias têm dado certo e, com baixíssimo ou nenhum custo, vários ?nós? vão sendo desfeitos ou, no mínimo, afrouxados, no caótico trânsito da capital alagoana. Em boa hora, mais uma mudança no tráfego está sendo implantada na Avenida Fernandes Lima, hoje um dos maiores problemas do trânsito maceioense. O objeto dessa mais nova mudança diz respeito aos corredores de ônibus. Oxalá dê certo. Afinal, é desesperadora a realidade daquela via que, nos momentos de pico, espalha congestionamentos para boa parte da cidade. Em verdade, a Avenida Fernandes Lima extrapolou, há muito, sua capacidade de tráfego. Asfixiada por débeis vias de escoamento e pelo crescente aumento populacional nas áreas que dela fazem uso, além de saturada pelo irresistível aumento do número de veículos, aquela via não tem mais para onde ir. Mas a inteligência serve exatamente para criar soluções, inventar saídas para situações aparentemente perdidas. A faixa exclusiva para o transporte coletivo é um caminho usado, com relativo, sucesso em metrópoles como São Paulo. Ressalve-se que na paulistana solução os táxis, desde que conduzindo passageiros, podem (ainda) usar esse corredor ? o que muito facilita a vida de quem está embarcado. Nada obsta que essa boa ideia seja experimentada em Maceió. Os custos são insignificantes, bastando a pintura da faixa divisória, a sinalização aérea correspondente e um eficiente serviço de fiscalização. Implantar não será fácil, especialmente pelas dúvidas práticas sobre como fazer corretamente a conversão à direita, movimento que, obrigatoriamente, conduz todos às faixas para coletivos nas proximidades das esquinas almejadas. Mas vale a pena tentar. Pelo menos, enquanto a cidade espera uma nova via em paralelo à saturada Fernandes Lima, esta, sim, uma obra indispensável.

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