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Opinião

Desafios externos com reflexos pol�ticos locais

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Analistas menos comprometidos com as paixões eleitorais avaliam que 2014 é um ano repleto de desafios internacionais para o Brasil. Sem contar com a Copa do Mundo nessa lista, acrescente-se. Ouvindo especialistas nesse segmento, a BBC Brasil listou cinco grandes questões postas para a diplomacia brasileira neste ano já tão carregado. Seriam elas: acordo Mercosul/União Europeia; acertos com os Estados Unidos; atritos comerciais com a Argentina; nova política de cooperação; grandes obras no exterior. Numa primeira vista d?olhos, o rol parece ser, de fato, produto de uma escalação imparcial. Negociado há 14 anos, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é essencial para que o grupo latino-americano rompa o círculo de mediocridade no qual se deixou fechar graças a uma visão hermética e ideologizada de si próprio. O papel do Brasil é fundamental para que a miopia ?mercosulista? seja superada. Não é de hoje que sabe-se ser uma idiotice a máxima (dos anos 50) que garantia que ?o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil? ? subserviência teórica responsável por grandes atrasos e erros práticos na relação tupiniquim com o grande cacique no Norte. Estabelecer novas bases para o estreitamento dessa convivência é um objetivo estratégico e, nesse rumo, até as mancadas americanas (como a espionagem deslavada) devem ser usadas para melhorar (e não complicar mais) a interação Brasil/Estados Unidos. Também já faz um bom tempo que o Brasil está se deixando envolver pelos tropeços dos ?hermanos?. Estimular as velhas rivalidades regionais é estupidez, mas um pouco de mais voos solo será muito bem-vindo. As principais iniciativas brasileiras no exterior são ousadas, e nenhuma com resultados a curto prazo. Este é um dos fatores de desgaste, pois a demora, mesmo natural, favorece a desinformação orquestrada pelas oposições de políticos e empresários que não fazem parte desse processo. Como os cronogramas não podem ser atropelados, é hora de garantir mais transparência para essas grandes obras alhures, esclarecendo pontos confusos e polêmicos desses negócios. Naturalmente que todas essas tensões e dilemas internacionais serão internalizados como elementos do jogo eleitoral deste ano. E o governo Dilma precisa estar preparado para responder à altura, ou os prejuízos serão brutais ao Brasil.

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