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Opinião

A RODA, DE NOVO!

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A saída do ex-secretário de Defesa Social e sua equipe ? responsáveis pelo perverso monólogo entre a cúpula e os servidores policiais ? e o realinhamento dos militares representaram avanços na Seds. Mas, é interessante salientar a importância de se avançar também nas ações de enfrentamento ao crime. Alagoas não pode mais embarcar na duvidosa tentativa de reinventar a roda. As operações de patrulhamento de rua anunciadas, dentre as quais a ?operação muralha?, deixam de surtir efeitos diante das redes sociais e sua comunicação em tempo real. A blitz é divulgada mesmo antes de começar. Esse tipo de medida tem servido apenas para aumentar a carga de trabalho, já tão extensa, dos policiais militares. Não é mais cabível a reedição da antiga cantilena repressiva e imediatista do modelo de segurança adotado no Brasil. É temerário que essas ações possam vir a cair no vazio de sua própria obviedade, porque são ações que não cortam fundo na carne e na estrutura do crime organizado e da violência. Há em nosso país uma queda pelas medidas midiáticas e meteóricas, como as propaladas UPPS no Rio, que apenas mudaram a geografia do crime. Os delinquentes migraram para outros locais. A equação não fecha porque o consumo e a venda de drogas e a ocorrência dos delitos continua a topo vapor (com os devidos trocadilhos). Notar-se-á em breve que este não é o fio de Ariadne, graças ao qual Teseu conseguiu sair do mitológico labirinto de Dédalo. É preciso virar a página do mesmismo. Em verdade, as saídas existem, porém, falta seguir os fios condutores: descentralização e ampliação das discussões do planejamento com a base da tropa é um deles. Não é razoável que o policial que está diuturnamente na tarefa-fim não opine sobre o policiamento sob sua responsabilidade. Simplesmente entre numa viatura para cumprir uma escala, sem poder dar qualquer tipo de sugestão. Essa mordaça laboral tem efeitos nocivos nos resultados; cria desinteresse do policial pela atividade. Não podemos olvidar que a polícia é o serviço público democrático e informal por excelência (o cidadão solicita com um simples telefonema, ou acenando para uma viatura). Por que então não envolver os ?soldados rasos?? Idem para as unidades operacionais, que precisam desatar-se do comando central, com autonomia até mesmo para selecionar os policiais de acordo com a aptidão, a idade e a tendência à atividade ostensiva. Os novos tempos e desafios demandam traçar com o policiamento um diálogo sério e direto sobre metas, papel e objetivo da polícia no contexto social. Ou, na gíria malandra, levar um papo reto com a base da Força. Desmilitarizar/desenguiçar as ações policiais, que não prescindem do trabalho em equipe, e ficam muito bem sem destaques individuais a cargo das vaidades. É preciso ousar e inovar. Por mais sedutora que seja a ideia da roda, ela já foi inventada.

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