Opinião
A FESTA DA GRATID�O
Você já assistiu ao filme: A Festa de Babette? Não sei se você já teve essa oportunidade, mas, se não a teve, lhe digo: reserve pouco mais de 1 hora do seu dia e veja essa grande lição de vida. Sem contar que o filme é muito bem dirigido. Feliz ou infelizmente, mesmo tendo feito esse convite para que você, amigo leitor, veja o filme acima citado, eu terei de praticamente contar todo o enredo para que você entenda o motivo da minha recomendação. Vamos à história. O filme se passa em uma pequena vila dinamarquesa no século 19. Conta a história de duas senhoras, filhas de um pastor local, que acolhem em sua casa Babette, que havia fugido da França devido às conturbações políticas dos anos de 1870. Babette serve a essas senhoras como empregada por quatorze anos, até que ganha 10.000 francos da loteria francesa. Qual a ideia que vem à mente de todos? Logicamente que Babette iria voltar para a França e abandonar a simples vila onde servia como empregada. Mas, não! Esse mesmo tempo marca o centenário do nascimento do pai e pastor das senhoras de Babbete. E ela, em gratidão, se prontifica a fazer um jantar em homenagem ao centenário. Não vou ser desmancha-prazeres e contar o final da história, mas a maior surpresa ainda está por vir. Além de muito bem feito e de apresentar pratos tão suculentos que chegam a dar fome em quem assiste, o filme traz uma grande lição. Vivemos em um mundo que prega a autossuficiência. Quantos são os livros de autoajuda que apresentariam o caminho para você ser feliz sem precisar dos outros, se amar acima de tudo e de todos, ficar rico, entre tantas outras coisas. Parece que o mundo resume-se a um Eu egoísta e fechado em meu próprio mundinho. Como diriam nossas avós, muitos parecem que tem ?o rei na barriga?. Valores como solidariedade e gratidão parecem fora de moda. Aliás, sequer são lembrados ou ensinados. E quando são lembrados isto acontece apenas em algumas datas especiais, particularmente o Natal, e esquecidos por todo o resto do ano. Onde será que erramos o caminho? Em qual parte do trajeto deixamos essas sementes cair na beira da estrada e ser comida pelos pássaros? Espero que ainda haja tempo de voltarmos atrás e recuperarmos aquilo que desperdiçamos para assim darmos um passo à frente em humildade e, principalmente, em testemunho cristão. Aprendamos com o salmista que nos chama à gratidão: ?Deem graças a Deus, o Senhor, porque ele é bom e porque o seu amor dura para sempre? (Salmo 118.29).