Opinião
ALGUMAS REFLEX�ES SOBRE O ENSINO SUPERIOR
O crescimento e o desenvolvimento esperado para o Brasil, nos próximos anos, passam, necessariamente, por profundas transformações políticas, sociais e culturais, nos mais variados aspectos da construção histórica da nação brasileira. Incrível como, apesar de tantos problemas ainda não resolvidos e de tantos contrastes, em alguns casos, cada vez mais acentuados, o Brasil ainda consegue roubar a cena do mundo internacional e se estabelecer como uma nação forte, vibrante, de garra e de trabalho, orgulhando a nação com várias condecorações recebidas a todo o tempo. Nesses últimos anos, procurei me dedicar ao conhecimento de alguns países estratégicos, vendo, de perto, por exemplo, a realidade educacional, no que diz respeito à organização do Ensino Superior público e/ou privado. Conheci, de perto, algumas universidades em Portugal, Alemanha, Bélgica, Coreia do Sul e China. Em todos esses países, vi uma taxa de matrícula na universidade que varia entre 60% a 80% dos jovens de 18 a 25 anos, espaços de produção de saber muito bem estruturados e equipados; professores com dedicação exclusiva, de fato e de direito, a uma universidade, com apenas uma cátedra por ano. A forma de ingresso no sistema universitário é muito rigorosa, com produção científica comprovada e qualificada e titulação mínima de doutor. Há ligação dos espaços de pesquisa da universidade com o setor empresarial. Na Europa, especificamente, em função do Tratado de Bolonha, que reorganizou e padronizou o sistema universitário da graduação e pós-graduação, é comum as pessoas seguirem direto da graduação à pós, em níveis de mestrado e doutorado. No Brasil, ao contrário, há uma taxa de matrícula de 13% da faixa etária de 18 a 25 anos na universidade; a infraestrutura de trabalho, mesmo nos considerados grandes centros, é deficiente. Os professores têm sistema de trabalho com 20 e 40 horas, sendo a dedicação exclusiva, em alguns estados, como o de Alagoas, por exemplo, um sonho, havendo muitos professores sem titulação de mestrado e doutorado. A realidade mostra docentes cheios de disciplinas e com vínculos em mais de uma universidade. Nessas condições, o Brasil tem muito o que fazer. Penso que esse aspecto associado a outros podem, numa maior velocidade, trazer respostas mais eficientes no processo de transformação do Brasil que queremos.