Opinião
VALORIZA��O DA MEM�RIA CULTURAL
Desculpe-me o leitor utilizar uma expressão latina, uma das poucas que me restaram do curso de Latim: ?Non omnis morritur? (eu não morrerei de todo), dizia Horácio. Com isso, ressaltava o poeta romano a importância da preservação da memória, da contribuição cultural deixada. Manter viva a obra, o autor, quando relevantes e quando merecem a perenidade da história literária, científica e artística, é fator imprescindível para a formação e manutenção de nosso acervo intelectual; enfim, uma boa contribuição à formação de novas gerações. Uma das reclamações comuns é que não se preserva a memória de destacados alagoanos. Desaparecem da trajetória biológica, que é fatal e inexorável, e morrem tragados no mais vil esquecimento. Embora reconhecendo que muito mais pode ser feito, costumo responder que as Academias de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, a Fundação Pierre Chalita, o Arquivo Público, as Secretarias de Cultura, entre outros organismos, realizam um trabalho meritório nesse campo. Os Centenários de ilustres alagoanos têm merecido reestudos de suas obras: assim, Arthur Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos, Nise da Silveira, com destaque. Mas há que reconhecer o desconhecimento, de parte do grande público e de estudantes, de datas, fatos e pessoas ilustres. Uma pesquisa da TV, em 15 de novembro, mostrou que o feriado era totalmente desconhecido e melhormente aproveitado na praia e no cinema sem preocupação de indagar o sentido e o significado da data. Quando secretário de Educação e Cultura, com o apoio do professor Douglas Apratto Tenório, republicamos a História de Alagoas, de Moreno Brandão, e Maceió, de Craveiro Costa, e História de Alagoas, do mesmo autor. Nos últimos anos, muitas publicações merecem referência nesse campo. Às vezes, há alavancas de divulgação que ajudam na preservação da memória. Dona Heloísa Ramos, viúva de Graciliano Ramos, após a morte do marido, que foi um dos maiores escritores deste século, dedicou sua vida à publicação de trabalhos inéditos e republicação de suas obras. Mantendo contato permanente com editoras e organismos internacionais, incentivou estudos e pesquisas sobre esses trabalhos. Virou conferencista e debatedora das ideias do mestre Graça. Gostaria de fazer uma sugestão aos dirigentes das escolas dos Ensinos Fundamental e Médio: organizem programas regulares de visitas aos museus alagoanos, depositários de nosso rico e diversificado patrimônio.