Opinião
PEDACINHOS COLORIDOS DE SAUDADES
Algo estranhíssimo ocorre nessa época em conceituados consultórios médicos alagoanos: no do dr. Abynadá Lyro, pioneiro da neurocirurgia em Alagoas, somem os traumas encefálicos. No do dermatologista dr. Alberto Cardoso, mesmo sob esse abrasador sol, reduzem os casos de câncer de pele. Nos dos psiquiatras Agatângelo Vasconcelos e Emmanuel Fortes, psicóticos tranquilizam-se, e portadores de transtornos bipolares só apresentam euforia, desaparece a depressão. Os cardiologistas Flávio Loureiro e José Wanderley registram redução do colesterol, das pressões arteriais e dos infartos do miocárdio. No dr. João Simões, radiologista, desaparecem radiografias de fraturas decorrentes de brigas, principalmente entre marido e mulher. José Tenório, angiologista, não encontra varizes nas pernas das moças. Marcel Davi Loureiro constata diminuição de casos de câncer; Milton Hênio observa as crianças mais saudáveis, pois seus pais ficam mais descontraídos, e José Medeiros registra melhora geral da saúde pública. Um célebre pesquisador de Harvard, dr. Alien Crazy, concluiu rigorosa pesquisa, onde identificou o agente etiológico responsável pelo explosivo surto de saúde entre os alagoanos: a alegria do Pinto da Madrugada; daí pretende publicar trabalho científico no respeitado periódico médico New England Journal of Medicine. A esses ilustres médicos, agregaram-se outros notáveis conterrâneos, como Alberto Rostand, Areias Bulhões, Carlos Méro, Carlos Mendonça, Enio Lins, Eduardo, Herman e Zunara Lyra, Lysete Lyra, Solange Chalita, Tereza Vasco, Marcial de Lima e Romeu Loureiro, na coletânea Pedacinhos Coloridos de Saudades. Na apresentação, o antropólogo e professor da Ufal, Bruno César Cavalcante, escreve: ?É livro pioneiro ao reunir tantos autores em torno de um mesmo tema. Eis aqui, portanto, um turbilhão de lugares, de pessoas e de situações vividas, quase sempre pelo melhor lado da existência: o do sorriso farto e da alegria coletivamente partilhada, ou seja, os momentos em que nada mais fazemos do que dar vazão ao que é ?próprio do Homem?, como sobre o riso disse escrevendo François Rabelais. A literatura memorialística tão cara ao registro da vida alagoana, e em parte desaparecida, é aqui algumas vezes retomada em grande estilo?. Estão todos convidados para o lançamento do livro no próximo dia 20.