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OMISS�O ENLOUQUECE FAM�LIAS DE DOENTES MENTAIS

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Só quem conhece de perto o problema pode entender o quanto é difícil a missão da família que tem dentro da sua casa alguém acometido de distúrbio mental. É um sofrimento sem fim que, direta ou indiretamente, afeta os que convivem com o drama das crises, surtos, das noites intermináveis, nunca dormidas; da agressividade, das tentativas de fugas descontroladas com riscos de maus-tratos nas ruas. Da discriminação, do repúdio das pessoas que cruzam com essas criaturas, para muitas delas, indesejáveis. Da rejeição da vizinhança que não suporta os gritos, reação comum quando o doente é impedido de realizar seus inconsequentes desejos ou manifestações naturais, fruto do desequilíbrio provocado pela doença. E o sofrimento aumenta ainda mais pelo descaso com que o Brasil trata a saúde mental. Nos últimos anos, cerca de cem mil leitos foram extintos nos diversos hospitais psiquiátricos, agravando absurdamente as dificuldades para as inúmeras famílias que necessitam dos serviços médicos e hospitalares. Uma ação considerada criminosa, na avaliação dos profissionais especializados nesse tipo de tratamento. Segundo o médico, psiquiatra e professor Juberty Antonio de Souza, o Brasil é um dos países do mundo que menos investe no tratamento de doenças mentais. E isso é tão verdade que basta ver como o governo, intencionalmente, cria tantos empecilhos, dificultando claramente a sobrevivência das instituições, muitas fechando as suas portas. Vinte e oito reais em diárias são tudo o que o SUS disponibiliza para alimentação, medicamentos e todas as necessidades básicas para a manutenção dos pacientes internos, segundo denúncia do Conselho Federal de Medicina. Os planos de saúde cobram valores inviáveis, além das restrições a que são submetidos os seus conveniados, incluindo o tempo de internação. Ao contrário dos Estados Unidos, que obrigam os convênios a cobrir doenças mentais nos mesmos termos que doenças físicas. Maceió ainda dispõe de algumas clínicas psiquiátricas, que, apesar das tantas dificuldades ainda prestam um grande serviço para as centenas de famílias que carregam o peso de possuírem parentes vítimas da esquizofrenia e de outros distúrbios mentais. Não se sabe, porém, até quando suportarão a omissão do governo.

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