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O PIOR MEDO � O DO DESCONHECIDO

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No final do ano passado, a brutal morte de um agente provocou uma polvorosa reação das forças policiais. O pânico que se instalou na ocasião ainda está fresco em nossas memórias, mas ficou evidente, na época, que o pavor maior foi motivado não por crimes reais, mas por criminosos boatos. Os números da segurança pública em Alagoas são alarmantes, mas os boatos de dezembro mostraram que existe algo ainda pior que a insegurança em si, a sensação de insegurança. A sensação de insegurança se relaciona com vários fatores, não apenas com número absoluto de crimes. Assustam mais, por exemplo, os crimes acontecidos perto de casa, os ocorridos à luz do dia e os praticados por grandes quadrilhas. As diversas pesquisas realizadas sobre o tema mostram, contudo, que os locais onde a população se sente mais insegura são aqueles onde essas informações não são divulgadas. O pior medo é o do desconhecido. A mera divulgação de detalhes sobre a criminalidade pode, sozinha, diminuir a sensação de insegurança. Entre esses dados, o mais importante é a separação dos latrocínios do conjunto de homicídios. O que amedronta mesmo o cidadão de bem é o latrocínio, o roubo seguido de morte; os outros homicídios, aqueles de briga de bar, da violência doméstica ou de quando os bandidos se matam entre si, não deixam as pessoas com medo de sair de casa. É claro que todos os homicídios devem ser investigados e punidos, mas destrinchar essa vital informação sobre a natureza de cada morte já ajudaria muito a construção de um ambiente mais tranquilo para os alagoanos. Cada cidadão tem o direito de saber o perigo que lhe açoita. Informar o número anual de latrocínios deve ser meta urgente. Para o futuro, ficaria a discussão sobre revelar ou não a localização, horário e outros detalhes das ocorrências. O estado de São Paulo, por exemplo, tem 12 assassinatos por dia, mas os paulistanos não têm medo de andar na rua. Isso porque apenas 8% desses delitos são latrocínios, foram menos de um por dia em 2013. Se fossem 16%, o número absoluto continuaria o mesmo, mas a sensação de insegurança do pai de família trabalhador duplicaria. Quantos, entres os 2 mil homicídios que acontecem em Alagoas a cada ano, são latrocínios? Seja lá qual for a resposta, ela será bem-vinda. O pior cenário é continuar na ignorância, e no medo.

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