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D�VIDAS DE AMOR

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O escritor Camilo Castelo Branco, clássico da literatura portuguesa, sentenciou em um dos seus textos: ?ser preciso pagarem-se as dívidas de dinheiro, quanto as de amor nunca se pagam?. O sentimentalismo da afirmação corresponde à ideia reinante no coração dos amantes, sempre credora dos afetos cultivados. Embora as grandes paixões sejam movidas pelo desprendimento, por um impulso natural e incontidas emoções, restará sempre uma cobrança silenciosa pelo tempo e intensidade das doações compartilhadas. O diálogo amoroso se alimenta das respostas, das expectativas redentoras, do calor humano que se propõe infindável. As cobranças sobre o amor mereceram de William Shakespeare uma brava reflexão: ?Apreendi que não posso exigir o amor de ninguém; Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim; e ter paciência para que a vida faça o resto...?. A sinceridade faz apenas as grandes amizades. A relação amorosa possui lances tempestuosos, segredos triunfantes e realizações engrandecedoras. As oscilações de sentimentos e os largos gestos ornamentam o mundo daqueles que se amam. Os amantes inteligentes cultivam a arte de serem exigentes para extrair plenamente os grandes momentos do amor. Uma sábia cobrança de gestos e oportunidades, consciente de que as desatenções do ser amado, quando perdoadas, incentivam o esquecimento das atitudes libertadoras. Talvez o sucesso dos projetos desafiadores seja a capacidade de se unir a vigilância do olhar com a suave demonstração de que a afeição impera em benefício dos sonhos comuns. A cumplicidade recíproca embeleza todos os desejos permitidos, apoiados pela construção do tempo e da vida. As cobranças irrelevantes costumeiramente aborrecem. As significativas, na inspiração machadiana, podem ser ferozes como os leões, mas se tornam mansas diante da compreensão e do entendimento. Afirma-se que as separações e a morte pagariam todas as dívidas. As ausências, no entanto, fazem renascer qualidades vencidas pelo desamor; teimosias transformadas em hábitos aceitáveis; cicatrizes em heroicas lembranças. Para a realidade de outra vida, levam-se apenas as paixões redentoras. As antigas mágoas precisam ficar, superadas pelas alegrias renovadoras, sem as quais a alma dos acontecimentos não ganha o julgamento silencioso das verdades eternas.

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