Opinião
O PEQUENO ESTANDARTE
Felizmente, estava no intervalo entre os atendimentos na Santa Casa, quando recebi mais um telefonema do Braga Lyra (nessa época são incontáveis ao dia) e atendi imediatamente. Ele estava mais aperreado do que o normal: ?Davi, não tem como fechar as contas do bloco esse ano!?. E o sufoco só cresce ano a ano, enquanto, paralelamente, ocorre um paradoxo: embora existam evidências fartas de que os foliões gostem cada vez mais do Pinto da Madrugada, e elevem-se extraordinariamente o número de participantes de suas prévias e do desfile, as dificuldades para viabilizá-lo, só aumentam. Embora nesses 15 desfiles e prévias tenhamos contado com apoio da mídia, das autoridades, de patrocinadores, dos amigos e, principalmente, dos foliões, a sensação é de que estamos em um poço acochado, aonde a água vai se elevando, já passando do peito, chegando ao pescoço, ameaçando cobrir a boca e nos afogar antes do desfile. Em 2014, com 15 anos, juramos que realizaríamos o último aniversário: uma prévia que dá muito trabalho e gastos. Mas, durante a festa, circulando entre os foliões, foram tantas as mães e pais extremamente felizes pedindo para tirar fotografias com seus pequeninos filhos e filhas fantasiados pegando o pequeno estandarte, que após o encerramento, mesmo esfalfados, mas também, elevadamente gratificados emocionalmente ? almoçando lá pras quatro horas da tarde ?, reavaliamos que não podemos deixar de realizar essa prévia. E, hoje, sábado, 22, estaremos enfrentando um imenso desafio: certamente, o desfile mais audacioso de nossa história. Para a nossa orla, vem o carro alegórico de nosso padrinho, o Galo da Madrugada, como mais de 120 de seus principais componentes: como estandartes, bonecos gigantes, carrancas, passistas, além de sua diretoria que vem de Recife só para homenagear o afilhado. E isso tudo envolve uma operação logística muito trabalhosa e arriscada, quando qualquer falha pode ameaçar um desfile destinado a alegrar 200 mil pessoas e que já é muito estressante para quem o produz. Mas a alegria na face daquelas pequenas crianças e de seus pais nos dá um prazer incomensurável. É uma emoção indescritível.