Opinião
DESCANSE EM PAZ, SENADOR
Certa feita, afirmei nesta coluna que escrevo não só pelo prazer de escrever, mas por poder expressar o sentimento de tanta gente cheia de anseios e que não têm a mesma oportunidade de usar o espaço tão nobre desta Gazeta que, aliás, completa hoje oitenta anos de liderança e interação com os alagoanos de todas as idades. Se apenas um só cristão dedicar um tempo para essa leitura, já é para mim uma satisfação. Tenho recebido e agradeço as manifestações surpreendentes de pessoas que me dão um orgulho danado ao ligarem (nem sei como conseguem meu celular) para comentar o tema abordado na semana, sempre com referências positivas e um rosário de incentivo. Mexe-se com a autoestima? Claro que sim, e como mexe! É estimulante. A propósito, antes de iniciar essa escrita, dei uma pesquisada nos meus arquivos para rever reportagens e entrevistas de algum tempo atrás, o que faço costumeiramente. Foi aí que encontrei uma publicação de 2006, da revista Isto É, com o senador Jefferson Peres, um dos maiores expoentes que o Congresso Nacional já teve, amazonense, defensor da ética e da dignidade dos poderes. Um intelectual, cidadão probo que, quando usava a tribuna do senado, incomodava com suas palavras duras a maioria da canalhada habituada às práticas mais indecentes no ritual do mandato. O senador Jefferson, dois anos antes da sua morte súbita, já era um parlamentar desiludido com a política brasileira, que, para ele, atingiu o seu auge com o escândalo das sanguessugas, o uso abusivo de informações sigilosas para prejudicar um jardineiro, até culminar com a articulação para a compra de um dossiê comprometedor contra adversários. Entre mensalões e desacertos na vida nacional, o senador Peres com a sua sinceridade e coragem afirmara que ?a crise ética não é só da classe política, é de grande parte da população?. Se vivo fosse, estaria solidário com as manifestações pacíficas e escandalizado com o rateio para pagamento das multas dos mensaleiros. Também decepcionado ao perceber que o Maranhão está disseminando franquias de miséria por outros estados nordestinos. Que o Brasil dá esmola aos pobres enquanto tira muito dinheiro de suas economias para estimular o desenvolvimento da ditadura cubana e também escraviza médicos importados de lá.