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Opinião

O QUE FAZER COM OS LIVROS?

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Em 2010, os gastos com educação relacionados a estudantes de nível superior pelos três níveis de governo ? Municípios, Estados e União ? no Brasil totalizaram R$ 17.972 por aluno. Ao mesmo tempo, as despesas com educação básica ficaram em apenas R$ 3.580. Os números já foram piores. No início da década, o gasto público por estudante no Ensino Superior era 11,1 vezes maior. O que significa que a diferença caiu mais que a metade no período 2000-2010. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Países desenvolvidos destinam entre 2,5 e 4 vezes mais recursos por aluno no nível superior em relação ao básico, mesmo assim, muitos são detentores de dezenas de prêmios Nobel. Já nós, com exceção do talento de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e Cesar Lates, temos o mesmo desempenho que nossos atletas nas Olimpíadas de Inverno na Rússia. Não seria o momento de rever esse modelo? Ao lançar os Cieps (Centros Integrados de Ensino Público) na década de 1980, durante o governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro (que foi ministro da Educação e responsável pela LDB, lei 9394/96, quando senador pelo RJ) disse que achava absurdo o aluno brasileiro ficar na escola meio período e levar trabalho para casa (o popular ?dever de casa?). Para ele, em casa, os pais, por vezes analfabetos, não tinham condições de oferecer o suporte necessário para que o estudante avançasse, e a coisa toda caía num círculo vicioso, o que acabava, quase sempre, em evasão. Em 2007, o País tinha 32,1 milhões de alunos no fundamental. Esse número caiu para 30,3 milhões em 2011. Como se não bastasse, houve a explosão da violência e a expansão do uso de drogas. No caso de Alagoas, especificamente, a letargia e a inoperância do governo estadual fizeram com que a evasão aqui atingisse 30% ao tempo em que nos tornávamos o estado mais violento do País e Maceió uma das cidades mais violentas do mundo. É perceptível que tudo está relacionado. Os Cieps fizeram parte de um projeto pedagógico revolucionário no Brasil: criança na escola em tempo integral, com ensino formal, atividades recreativas e culturais e alimentação. Uma ideia fantástica que foi incorporada pelo governo do presidente Fernando Collor e jogada no lixo pelos sucessores. Reestruturar a educação, então, significa reorganizar a sociedade. Atualizando Monteiro Lobato, um país é feito com homens e livros, mas, acima de tudo, com homens que saibam o que fazer com os livros.

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