Opinião
Os meros discursos e a viol�ncia
Em 1999, o atual governador do Estado e então senador disse, discursando no Senado sobre o assassinato a tiros da então deputada Ceci Cunha, que não se combateria eficazmente a violência em Alagoas com delegacias de polícia sem as mínimas condições de trabalho para que os agentes, policiais e delegados pudessem trabalhar dignamente. Menos de dez anos depois, já candidato ao governo estadual, e faltando dois meses para as eleições de 2006, em campanha, portanto, lançou seu ?programa de governo? ainda para o que seria a primeira gestão. Nele, fez constar que ?Alagoas tem pressa?. Prometeu defender a base construída pelo governador da época e, sobre essa base, ?erguer um projeto de desenvolvimento social para que Alagoas possa avançar mais?. O item segurança pública não foi esquecido naquele conjunto de intenções, de diretrizes, cuja maioria não passou das intenções ou de meras promessas. Especialmente as mencionadas para a área da segurança pública, a mais caótica, mais marcada pela lentidão nas decisões, pelas irresponsabilidades, pela falta de firmeza e de consciência de gestores que, infelizmente, ainda existem e parecem alheios às necessidades mais urgentes dos governados, sendo o combate rigoroso à criminalidade, sobretudo os assassinatos, merecedor das maiores atenções e prioridades. O item segurança pública constou, obviamente, daquele conjunto de intenções, mas nas últimas páginas, como se as questões da área não devessem ser as primeiras diante do volume de problemas antigos que só aumentariam com o governo que resultou do pleito de 2006, logo em seguida de outros anúncios que terminaram causas de frustrações, como a contratação de mil policiais a cada ano e o reconhecimento de que o trabalho do profissional da segurança é de risco, por natureza. Que ?esse risco não pode ser totalmente anulado, mas a sua redução deve ser buscada de todas as formas possíveis?. Se esses e outros discursos, mais o programa que acabamos de citar e muitas promessas não terminassem em desilusões, o povo alagoano não estaria agora envergonhado, amedrontado, até para conversar na casa do vizinho, ao lado da sua, em rua das mais movimentadas e em bairro considerado dos mais nobres. Apesar de todos os reforços em verbas, em recursos humanos e materiais e de outras formas de apoio recebidos pelo governo alagoano nestes últimos anos.