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O PINTO � PACIFICADOR

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Nesses dezesseis desfiles do Pinto da Madrugada, já o testemunhei de várias formas. Acompanhando no chão por todo o percurso; à margem, nas calçadas, vendo-o passar, e, nos dois últimos, de cima, ou seja, das varandas do apartamento de um amigo. Como a localização, no centro da enseada da Ponta Verde/Pajuçara, em frente aos Sete Coqueiros, permite-nos uma visão privilegiada da maior parte do cortejo, posso afirmar sem nenhuma dúvida que o Pinto é pacifista. Há quem diga ser o Pinto elitista, que não veio do subúrbio como a maioria dos blocos e que foi criado junto à elite na orla marítima, onde nasceu e desfila. Mas como pensar assim, se o elitismo favorece as minorias e despreza as massas e o Pinto, em seus desfiles, carrega a maioria agregando as massas? De acordo com o lexicógrafo, pacifista é aquele que através de seus atos promove mudanças profundas no meio em que vive e convive, em benefício da paz, utilizando de ações, palavras, música, teatro etc. E é exatamente pela música que ele consegue levar seus milhares de foliões ao êxtase da alegria, sem, contudo, fugir das regras da boa convivência. E essa música é o frevo. Logo o frevo, que é sinônimo de agitação, frevança, ferver. Criado quase um século após a nossa desvinculação de Pernambuco, Alagoas recebeu o frevo como um legado, cultivando-o por todo esse tempo, mesmo havendo alguns tristes interregnos, onde se quis, em épocas carnavalescas, imputar-nos outros ritmos como se nossos fossem. Não podemos esquecer, neste capítulo, do radialista Edécio Lopes e suas Manhãs Brasileiras, que, durante todos os seus programas a partir do primeiro dia do ano até o carnaval, só tocava frevo. Porém, com todo esse esforço, uma andorinha só não fez verão. E quase acabam com nosso carnaval, principalmente o de rua. Aí vem o Pinto da Madrugada, criado por abnegados profissionais liberais carnavalescos para mudar essa história. E o que vemos, nesses quinze anos de sua existência, é o renascimento de nosso carnaval. No desfile deste ano, levou, na esteira da sua alegria, mais de duzentas mil pessoas, numa cidade que se diz violenta, e não se viu, assim como nos anos anteriores, uma única perturbação da ordem pública. E mais, não usa qualquer tipo de separação entre os foliões, apenas as orquestras são circundadas por cordas. Que os sociólogos expliquem, mas, para mim, o Pinto da Madrugada é pacificador.

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