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Opinião

UM CARNAVAL FORA DO EIXO CARNAVALESCO

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O que fazer no carnaval? Resolvi voltar a Penedo e muitas recordações me ocorreram. Foram dias agradáveis passados nessa cidade. Lembrei minha amiga Nilza Megale e sua descrição sobre Penedo. Diz essa minha amiga. ?Quem desce de barco o Rio São Francisco, a poucos quilômetros de sua foz, tem a agradável surpresa de avistar, sobre enorme penhasco, uma fileira de casas coloniais de variadas cores, realçando sobre as águas verdes amareladas do rio. É a cidade de Penedo, uma das mais antigas do Brasil, fundada por Duarte Coelho Pereira, que lhe deu esse nome, devido à sua situação geográfica. Perto do cais, destaca-se sobre o casario antigo a bonita Igreja de Nossa Senhora da Corrente, preciosa joia da arquitetura setecentista, com suas torres arredondadas e seu frontão barroco?. Faço minhas essas palavras da amiga Nilza Megale, porque assim vi Penedo nos idos da minha infância. Ali, aportei no navio Comendador Peixoto, uma embarcação a motor de médio calado, que realizava semanalmente o trajeto fluvial entre Penedo e Piranhas. Cresci na fazenda Mata Verde à beira do Rio São Francisco, em Traipu, e vim para Penedo a fim de fazer o curso ginasial. As estradas para Maceió eram precárias. Assim, o rio era o grande caminho, a via móvel dos ribeirinhos que buscavam complementos de instrução na cidade de Penedo. Isto nos idos de 1950. Cada vez que volto a Penedo repito um roteiro de sentimento e de recordações, ao visitar ruas, praças, igrejas e locais que povoaram minha infância e adolescência. Na Rua do Rosário, continua intocada a residência do Monsenhor José Medeiros, Monsenhor Medeiros como era conhecido, um sacerdote dedicado às letras, ao ensino e à religião. Dele, herdei o nome de batismo e o estímulo à leitura dos clássicos da literatura brasileira. Foi exigente comigo, com meu irmão Rui Medeiros e com o primo Luiz de Medeiros Neto: era obrigatória a leitura e compreensão de textos, que posteriormente deveriam ser repetidos para ele. Muito aproveitamos com esse método que ele utilizava. Repetíamos um jargão: Penedo vai, Penedo vem, Penedo é terra de quem quer bem. Penedo é uma cidade que mantém laços de identificação com seu passado e sua história.

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