Opinião
DOS ENCONTROS DA VIDA
Entre tantos carnavais passados no Recife e Olinda,nesse, deparei-me com alguns fatos inéditos e outros nem tanto, que acredito, interessem ao atual momento do desenvolvimento da sociedade brasileira e em particular aos casais:gostem ou não de carnaval. O primeiro: os camarotes oficiais do governo do Estado e da Prefeitura de Recife,onde todos os anos no Galo da Madrugada, a mordomia corria solta para alguns poucos privilegiados por causa do contribuinte, esse ano fecharam. Prevaleceu a versão da pressão das mídias sociais reivindicando também esse privilégio. Em uma delas, em poucos minutos, 16 mil foliões exigiram igual acesso. Outro inédito, pelo menos para mim, foi acompanhar já nas prévias da quarta-feira, no Recife Antigo, o bloco ?A Cobra de Hipócrates?, constituído por médicos, numa associação harmônica das entidades médicas pernambucanas: Sindicato, Conselho Regional, Sociedade e Academia de Medicina. Predominavam os casais de médicos de idades variadas .Trouxe uma camisa do bloco para o Emmanuel Fortes. Dos fatos repetidos, mas sempre agradáveis de reviver:no Mercado da Boa Vista, tradicional recanto dos compositores e dos conterrâneos, também no Recife Antigo e nas escaldantes ladeiras de Olinda,muitos casais de alagoanos,brincando sempre juntinhos, muitos deles,casais de colegas médicos, que no retorno imediato já tinham complicados plantões, mas que ali desopilavam das agruras do trabalho e se revigoravam. Chico Buarque, entre tantos compositores que evocaram o Carnaval, cantou ?Carnaval, desengano, deixei a dor em casa me esperando e brinquei vestido de rei, quarta-feira, sempre desce o pano?. O carnaval tem muito das tão necessárias ilusão e fantasia, como tem de confraternização e de compartilhamento. Na música e na vida real, muitos são os encontros e desencontros a descortinar. No carnaval, incontáveis são os casais que nele se formaram, como Branca Rosa e Arnaldo Calheiros, no Pinto da Madrugada. Inúmeros são os casais que brincam juntinhos o carnaval, sem repressões, por uma espécie de concessão de um para outro, que gosta mais dos festejos de Momo, e isso não deixa de exprimir doação e renúncia: formas elevadas e consistentes de amar.