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MOBILIZA��ES PELA SEGURAN�A P�BLICA

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O crime praticado contra o jovem empresário Guilherme Brandão reacendeu os debates sobre a violência em Alagoas. Em pouco tempo, a trágica e prematura morte suscitou declarações públicas ruidosas, interpretações tendenciosas e oportunistas, além de algumas mobilizações de parentes e amigos, pela justiça e pela paz. O tema tomou conta das redes sociais imediatamente. Declarações de toda natureza levaram a um debate acirrado, que tinha como foco a (in)sensibilização social diante de dezenas de outros homicídios que acontecem quotidianamente em Alagoas e que não recebem o mesmo tratamento pela mídia e pelas autoridades. A pergunta de praxe: por que a classe média não se mobiliza e expressa sua indignação quando são assassinados o João, o José e o Pedro, moradores dos bairros periféricos? Por que somente quando alguém de visibilidade social vem a ser vitimado, a classe média entra em cena? Sempre achei esse discurso inadequado. Penso que há legitimidade em toda e qualquer mobilização pela paz e em defesa da vida, ainda que tardia, ainda que somente quando dói na própria carne. Pelas redes sociais, moradores das regiões de Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara trataram de articular uma mobilização, ofuscada pela proximidade do feriado de carnaval e pela própria reviravolta do caso, que surpreendeu a todos. A primeira possibilidade ? latrocínio ? tornou-se menos cruel do que os fatos efetivamente apurados: crime covardemente praticado por uma pessoa de confiança. Afinal, na hipótese inicial, havia um alvo para a indignação social: a insegurança pública. A versão apurada, ao contrário, revelou que a miséria humana estava em questão e não mais a violência urbana. Agora, resta saber se os novos rumos dos fatos manterão acesa a chama da mobilização social. Espero, sinceramente, que sim. Quero crer que, contrariando a afirmação de que temos uma classe média insensível aos dramas da violência na periferia, aqueles que engrossaram o coro de vozes por justiça no triste homicídio de Guilherme não silenciem e sintam-se, de fato, cidadãos efetivamente implicados no processo coletivo de construção da paz social no Estado de Alagoas.

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